Grupo de pesquisa recebe contribuições para o E-book Cartografias do Isolamento

Cartografias do Isolamento é o título do ebook para o qual o Grupo de Pesquisa em Espaço, Corpo, Arte e Estética (GECAE) do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade de Brasília (UNB) está recebendo contribuições. Os organizadores esperam receber contribuições artísticas, até o dia 15 de junho, e trabalhos acadêmicos, até o dia 15 de agosto.

A ideia é coletar peças gráficas, vídeos, fotografias, filmes, imagens, instalações, narrativas em prosa e em verso, material audiovisual entre outras expressões sobre como as subjetividades foram/são impactadas pelo isolamento social.

O livro inicia um novo projeto cartográfico sobre o isolamento e a pandemia. O isolamento social nos impõe uma série de mudanças tanto nos âmbitos macro quanto micropolíticos. Estão implicadas transformações econômicas, sociais, históricas, políticas, culturais e subjetivas. A ocupação do espaço urbano se restringe enormemente e as trocas de afeto entre seus habitantes se reconfiguram. Nesse cenário, como nossas próprias subjetividades constituem a subversão a esta imposição necessária? Como os afetos se transformam e procuram criar novos laços mesmo quando não podem se constituir no mesmo espaço físico?

O livro busca compreender como a ocupação do espaço urbano se restringe e como impacta e reconfigura os deslocamentos pela cidade e as trocas de afetos entre as pessoas, com objetivo de criar uma exposição presencial e/ou virtual bem como um e-book após o período de isolamento.

Interessadxs em participar, podem enviar seus trabalhos para o e-mail: cartografiasdoisolamento@gmail.com. A chamada para artigos acadêmicos, incluindo as diretrizes para autores pode ser acessada aqui.

Curso de Publicidade e Propaganda da UFG lança chamada para livro sobre Covid-19 e Comunicação

O curso de Publicidade e Propaganda da Faculdade de Informação e Comunicação da Universidade Federal de Goiás (UFG) está recebendo, até o dia 13 de julho de 2020, contribuições para o livro-coletânea Covid-19 e a Comunicação.

A obra será publicada já no segundo semestre de 2020 e contará com conselho editorial acadêmico e será disponibilizada em formato digital open access, com possibilidade de impressão on demand. Serão selecionados de 10 a 12 artigos para comporem o livro.

Os textos originais devem ser enviados para o e-mail dos organizadores do livro, prof. Dr. Rodrigo Cássio Oliveira (rodrigocassio@ufg.br), prof. Dr. Daniel Christino (dchristino@ufg.br) e prof. Dr. Eliseu Machado (eliseu@ufg.br). As normas de formatação do texto estão disponíveis aqui.

Os organizadores esperam trabalhos que abordem, entre outros, os seguintes temas:

  • Comportamento do Consumidor,
  • Comunicação e Covid-19;
  • Comunicação científica e Covid-19;
  • Comunicação, Cultura e Covid-19;
  • Comunicação institucional e Covid-19;
  • Credibilidade da comunicação social e Covid-19;
  • Criatividade, Comunicação e Covid-19;
  • Democracia, comunicação e Covid-19;
  • Fotografia e Covid-19;
  • Gestão de Marcas e Covid-19;
  • “Infodemia”, consumo de mídia e Covid-19;
  • Marketing Social e Covid-19;
  • Mídias sociais, fake news e Covid-19;
  • Pesquisa quantitativa, Big Data e Covid-19;
  • Publicidade, propaganda e Covid-19;
  • Produção Audiovisual e Covid-19;
  • Qualidade de Vida, Comunicação e Covid-19;
  • Simulacro, imagem e comunicação na crise da Covid-19;
  • Teorias da pós-modernidade e Covid-19.

Revista Eptic e Ulepicc-Brasil realizam curso à distância sobre “Economia Política da Internet”

“Economia Política da Internet” é o tema de novo curso realizado pela revista EPTIC e a Ulepicc-Brasil. O curso, que será ministrado nos meses de junho e julho de 2020, contará com oito professores e será dividido em seis módulos.

O investimento para participar vai de R$ 70 (estudantes) a R$ 200 (profissionais fora da academia). Para se inscrever, é preciso preencher o formulário até o dia 30 de maio. Em seguida, o pagamento deverá ser feito, de acordo com sua categoria profissional, pelo site da Ulepicc-Brasil. Os participantes podem optar por pagar meio de boleto bancário ou cartões de débito e crédito.

O curso abordará questões contemporâneas como a ascensão das plataformas digitais, valor e trabalho nas redes digitais, tecnologias da vigilância e geopolítica do 5G, além de tratar das mudanças na cultura e nos mercados das comunicações, com destaque para os impactos das plataformas digitais no jornalismo e na produção audiovisual.

Os conteúdos serão apresentados em vídeos por professores/as, que também acompanharão discussões online entre os/as participantes e indicarão textos, vídeos e outros materiais sobre cada tema.

Mais informações e inscrições estão disponíveis aqui

Ementa

O curso propõe um olhar sobre o desenvolvimento da internet, as mudanças que esta promoveu na indústria cultural e as transformações pelas quais tem passado, a partir do olhar da crítica da economia política da informação, da comunicação e da cultura. A internet nasceu em meio a promessas de democratização e liberdade. Contudo, sua história foi permeada por interesses diversos, sendo que, na última década, ficou nítida a prevalência de sua conformação como mercado e, portanto, sua submissão à lógica do sistema capitalista. Tal dinâmica se manifestou na esfera econômica com a emergência de novos poderosos agentes, os quais hoje disputam a liderança dos mercados, incidindo com isso também na geopolítica mundial. Esse novo cenário promoveu mudanças nas relações de trabalho, na cultura e nas comunicações, para citar algumas dimensões que serão abordadas no curso. Além disso, viabilizou a emergência da chamada “economia digital”, da qual faz parte o novo mercado das comunicações online, composto por plataformas de streaming, redes sociais, portais noticiosos etc, e que permite também atividades que, embora transcendam as mídias, dependem das tecnologias da informação e da comunicação, como a vigilância. Essas alterações demandam análises novas sobre as lógicas de produção, circulação e consumo de informação e cultura, as quais serão abordadas em diferentes módulos do curso Economia Política da Internet.

Investimento: Estudantes de graduação: R$ 70; Associados à Ulepicc-Brasil: R$ 100; Pós-graduandos não associados: R$ 150; Professores/as: R$ 200; Profissionais fora da academia: R$ 200.

Professores/as: César Bolaño (UFS), Helena Martins (UFC), Jonas Valente (UnB), Manoel Dourado Bastos (UEL), Patrícia Maurício (PUC-Rio), Rodrigo Moreno Marques (UFMG), Ruy Sardinha Lopes (USP), Verlane Aragão (UFS).

Revista Movimento lança chamadas para dossiês sobre Audioisual

A revista Movimento está recebendo contribuições para suas duas próximas edições com um dossiê sobre Serialidades Audiovisuais, a ser publicado no número 15, e outro sobre Audiovisual e Animismo, que estará no número 16 do periódico.

O periódico está recebendo contribuições para o dossiê sobre Serialidades Audiovisuais até o dia 10 de junho de 2020. Já os interessados em publicar seus artigos no dossiê sobre Audiovisual e Animismo devem enviar seus textos até o dia 4 de setembro de 2020.

São aceitos textos escritos por pós-graduandos (mestrandos, doutorandos e pós-doutorandos), e pós-graduados recém-titulados (mestres, doutores e pós-doutores), de autoria coletiva ou individual. A Revista Movimento aceita contribuições nas seguintes seções: dossiê temático, artigos, poéticas, ensaio, tradução, entrevista, resenha e documento.

A revista Movimento é editada por pós-graduandos do Programa de Pós-Graduação em Meios e Processos Audiovisuais da ECA/USP (PPGMPA/USP). Os autores interessados em publicar para algum dos dois dossiês devem enviar seus textos exclusivamente para o e-mail movimento@usp.br.

De acordo com a chamada de trabalhos, disponível aqui, para o Dossiê “Serialidades Audiovisuais”, “[M]esmo com a importante presença de programas de variedades e de vaudeville no dial televisivo, as séries (…) terão presença central no desenvolvimento e popularização do meio televisivo. E, no atual momento de grande discussão sobre as mudanças na televisão e o crescimento das plataformas de streaming online, são seriados que ocupam o lugar central de objeto de análise.”

O periódico espera receber “publicações inéditas que discutam o papel da serialidade nas mais diversas mídias”. Dessa forma, “valem discussões sobre o papel da serialidade no cinema, na televisão, no streaming e no videogame, tanto ontem como hoje”.

Já a chamada de trabalhos para o tema Audiovisual e Animismo, disponível aqui, procura estudar o caráter animista presente em determinadas narrativas do audiovisual, pois “desde o início da possibilidade de geração da imagem em movimento, no fim do século XIX, a capacidade desta nova tecnologia de animar o que antes era inanimado encanta e assombra público e realizadores”.

“Este dossiê busca, portanto, integrar-se aos estudos contemporâneos que promovem a reflexão intertextual do audiovisual a partir das mais diversas consequências que seu carácter animista possui e promove”.

Os textos enviados para a revista devem seguir as diretrizes para autores determinadas pelo periódico e disponíveis aqui.

Comunicação e Inovação em Tempos de Pandemia é tema de Dossiê

O periódico Comunicação & Inovação está com chamada de trabalhos aberta, até o dia 30 de julho de 2020, para o dossiê “Comunicação e Inovação em Tempos de Pandemia”. O dossiê será publicado ainda em 2020.

São esperadas contribuições que envolvam a inovação na comunicação relacionada a temas como comunicação científica, fake news, comunicação em saúde, comunicação de risco e comunicação de interesse público.

A chamada divulgada pela revista defende que “na atual conjuntura de crise e ameaça à saúde global, a pesquisa em comunicação desponta como ferramenta-chave para a compreensão dos fenômenos sociais produzidos pela pandemia. A importância da inovação na comunicação que serve ao interesse público é reiterada pelos problemas do atual contexto, que reivindica também estratégias de intervenção nessa realidade.”

Os autores interessados em enviar artigos para o dossiê devem seguir as diretrizes para autores disponíveis aqui. As submissões devem ser realizadas mediante cadastro no sistema OJS do periódico.

SBBJor abre inscrições para o Prêmio Adelmo Genro Filho

A Associação Brasileira dos Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor) está com inscrições de trabalhos abertas para o 15º Prêmio Adelmo Genro Filho (PAGF) de Pesquisa em Jornalismo 2020. Poderão concorrer os trabalhos defendidos de 1º de janeiro a 31 de dezembro de 2019, nas seguintes categorias:

– Iniciação Científica/TCC

– Mestrado

– Doutorado

– Pesquisa Aplicada (melhor produto/projeto caracterizado como de aplicação e de utilidade à prática cotidiana do Jornalismo).

Já na categoria Sênior, a deliberação é feita pela diretoria e pelo Conselho Científico da SBPJor, conforme estatuto da entidade, mas todo sócio em dia com a anuidade pode enviar uma indicação até 10 de junho. Nesta categoria, é considerada a trajetória acadêmica e a contribuição do(a) pesquisador(a) para o campo do Jornalismo.

As comissões julgadoras do Prêmio PAGF em cada categoria avaliarão os trabalhos até 13 de setembro de 2020. A entrega do Prêmio será realizada durante o 18º Encontro Nacional da SBPJor, que acontece na Universidade Federal do Ceará (UFC) de 4 a 6 de novembro de 2020.

O regulamento e a ficha de inscrição estão disponíveis aqui. As inscrições devem ser feitas exclusivamente pelo sistema de conferências da SBPJor, que pode ser acessado aqui. Não serão aceitas inscrições fora do prazo. Dúvidas podem ser encaminhadas para a coordenação geral do PAGF, no endereço sbpjor.pagf2019@gmail.com.

Revista Radiofonias recebe artigos para o dossiê “Rádio e Catástrofes”

O periódico Radiofonias – Revista de Estudos em Mídia Sonora (antiga Revista Rádio-Leituras) – está recebendo, até o dia 10 de julho de 2020, contribuições para o dossiê “Rádio e Catástrofes”, que será publicado na edição 2020.2 da vista.

A revista é coeditada pelo Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), pelo Grupo de Pesquisa Convergência e Jornalismo e pelo Núcleo de Rádio e TV (NRTV) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Trata-se de um dossiê extraordinário em razão da pandemia do novo coronavírus. Dessa forma, o dossiê “Rádios universitárias em tempos de ataques à ciência” será adiado para o primeiro quadrimestre de 2021. A edição de 2020.3 permanece destinada a artigos livres, que podem ser submetidos em fluxo contínuo.

De acordo com a chamada de trabalhos, disponível aqui, “o rádio desempenha papel relevante, para o bem ou para o mal, na informação e na construção do conhecimento da população sobre as medidas de prevenção e mitigação, de modo a evitar um colapso nos sistemas de saúde, afetando sobretudo a população mais pobre. Pelo seu alcance e agilidade, o rádio pode ser um poderoso aliado em estratégias de comunicação em larga escala, assumindo protagonismo em tempos de catástrofes como pandemias, enchentes, terremotos, incêndios, tsunamis e outras situações de emergência.”

Nesse contexto, Radiofonias incentiva submissões que apresentem estudos de caso, proponham reflexões teóricas e/ou decorram de projetos de pesquisa envolvendo a relação entre rádio e situações catastróficas, tais como:

  • O rádio e a prestação de serviços em momentos de calamidade pública
  • O rádio na comunicação científica sobre a Covid-19
  • Desafios ao fazer radiofônico em tempos de pandemia e isolamento social
  • Protocolos para atuação do rádio em situações de catástrofe
  • Veiculação de campanhas de utilidade pública pelo rádio
  • Rádio e desinformação

Os interessados em submeter papers para o dossiê devem seguir as diretrizes para autores encontradas aqui.

Revista “Sobre Jornalismo – About Journalism – Sur le Journalisme” está recebendo artigos para o dossiê “As escritas do Jornalismo Esportivo”

A revista Sobre Jornalismo – About Journalism – Sur le Journalisme – está recebendo, até o dia 1 de outubro de 2020, contribuições para o dossiê “As Escritas do Jornalismo Esportivo”. Os artigos podem ser redigidos em espanhol, francês, inglês e português e serão avaliados pelo processo revisão anônima pelos pares.

Essa edição temática é organizada por Paul Aron (Université libre de Bruxelles, Bélgica), Laurence Rosier (Université libre de Bruxelles, Bélgica), Ruadhán Cooke (National University of Ireland, Galway), Marie-Eve Thérenty(Université Paul Valéry Montpellier3, França) e Ruben Arnoldo Gonzalez (Universidad Iberoamericana Ciudad de México, México)

O dossiê, de acordo com a chamada de trabalhos disponível aqui, é “fruto de pesquisas conduzidas no âmbito da rede Numapresse (http://www.numapresse.org/), visa aprofundar o conhecimento das escritas do jornalismo esportivo, recorrendo especialmente a abordagens disciplinares inusitadas na área e técnicas que possibilitam renovar sua compreensão, tais como a análise do discurso, a história, as humanidades digitais ou a poética do jornalismo”.

Os organizadores do dossiê sugerem diversas abordagens, entre elas:

1. As modalidades poéticas do jornalismo esportivo, já bem consolidadas no início do século XX, buscam narrar um evento e seus atores, em um contexto de competição entre os diferentes meios de comunicação de massa e entre os próprios jornalistas.

2. As condições organizacionais para a prática dos esportes evoluíram com o tempo; os espaços de trabalho, as ferramentas, as possibilidades de divulgação e formatação construíram gradualmente relações distintas entre escrita e jornalista. ?

3. O discurso esportivo faz parte do discurso social, que ele próprio ajuda a alimentar. É importante estudar suas interações. Acompanhada por imagens, alvo preferencial de manchetes e de efeitos de layout, a narração esportiva dificilmente pode ser concebida como um desempenho puramente textual. Assim, podemos questionar como os diferentes elementos da mídia se relacionam e geram seus efeitos um em relação ao outro? Como escrever um texto no reino do “ao vivo” da rádio, da televisão ou da Internet? Como a concorrência dos meios de comunicação de massa condiciona as respectivas narrativas das várias mídias? Mais amplamente ainda, como a escrita do esporte dialoga com as representações do mundo (nacionalismo, racismo, ativismo, sexismo), com o planejamento territorial ou o turismo. O discurso do esporte também pode ser profundamente político, quando inicia guerras (partida Honduras-Salvador) ou resolve conflitos (apartheid na África do Sul). Ou polêmico, quando lida com questões de gênero e transgênero, ou defende a elevação do e-sport (esporte eletrônico) ao nível olímpico.

4. O jornalismo esportivo está intimamente vinculado à língua. É enunciado em registros linguísticos variáveis, da narrativa ao monólogo restituído, do discurso de conivência ao discurso da distância, da gíria ao pastiche literário, do discurso técnico à linguagem comum. Isso remete ao léxico, mas também à sintaxe, aos códigos de expressão e à retórica.

A submissão on-line dos textos deve ser feita através de envio aos coordenadores do dossiê por e-mail aos coordenadores do dossiê: paul.aron@ulb.acbe; ruadhan.cooke@nuigalway.ie; flecam@ulb.be; ruben.arnoldo.gonzalez@gmail.com. Os artigos devem ter entre 30 a 50 mil caracteres com espaço, incluindo referências e notas de rodapé.

Mestrado em Jornalismo da UFPB lança Edital para credenciamento de docentes

O Programa de Pós-graduação em Jornalismo da Universidade Federal da Paraíba lançou Edital, no último dia 30 de abril, para o ingresso de novos professores no programa. São ofertadas 4 (quatro) vagas dentro da área de concentração do programa (Produção Jornalística), destinadas à linha de pesquisa “Processos, Práticas e Produtos”.

Os candidatos deverão atender ao perfil e requisitos exigidos pelo programa, conforme estabelecido na Resolução n.º 01/2018/PPJ/CCTA/UFPB, que dispõe sobre Credenciamento, Recredenciamento e Descredenciamento de docentes.

As inscrições e entrega da documentação exigida deverão ser realizadas diretamente pelo e-mail credenciamentoppj@gmail.com, no período entre 01 a 05 de junho de 2020.

A homologação do resultado final pelo Colegiado do programa está prevista para ocorrer até o dia 30 de junho de 2020.

Mais informações aqui

De dentro da pandemia de 2020. Uma crítica a Byung-Chul Han

César Bolaño*

Também o céu às vezes desmorona

E as estrelas caem sobre a terra

Esmagando-a com todos nós.

Isso pode ser amanhã.

(Brecht)

Não devemos julgar os intelectuais por reações pontuais a eventos inesperados diante dos quais suas teorias se vêm repentina e brutalmente interrogadas. Assim, a primeira reação de Tony Negri frente à invasão norte-americana ao Iraque, ainda no rastro do ataque às torres gêmeas, afirmando indignado que os Estados Unidos haviam rasgado a constituição do império1, mostra sem dúvida uma dificuldade em interpretar o fenômeno com as ferramentas de análise de que dispõe, mas não é por esse motivo que criticamos a sua conhecida – delirante, como dizia Gorz2 – teoria.

Assim, não cabe tampouco julgar o excelente trabalho de Mbembe pela sua afirmação, diante da pandemia, de que “o poder de matar foi totalmente democratizado”3, numa entrevista, aliás, que evidencia, talvez mais do que certos limites do seu enfoque de base foucaultiana, aspectos muito interessantes do seu conceito, extremamente atual, de necropolítica. A ideia de que o isolamento social seja “uma forma de regular esse poder”, assim democratizado, talvez esteja de acordo com o fato de que “as novas tecnologias de destruição estão menos preocupadas com a inscrição de corpos em aparatos disciplinares do que em inscrevê-los, no momento oportuno, na ordem da economia máxima, agora representada pelo ‘massacre’”4.

Em todo caso, não se pode perder de vista que, para o autor, “o principal desafio que nossa época enfrenta é o da refundação do pensamento crítico”, reconhecendo que “a humanidade do ser humano não está dada” mas “se arranca e se cria no decorrer das lutas”5. Como fazê-lo a partir de agora, num mundo de vírus, isolamentos e avanço da extrema direita? Talvez a resposta deva ser buscada em outros grandes representantes do pensamento negro, como Fanon, para quem a sociedade burguesa é simplesmente “uma sociedade fechada, onde não é bom viver, onde o ar é pútrido, as ideias e as pessoas em putrefação. E um homem que toma posição contra esta morte é, em certo sentido, um revolucionário”6. Não é este afinal o desafio do nosso tempo?

Para o filósofo pós-moderno Byung-Chul Han, classe e luta de classes são categorias historicamente ultrapassadas, mesmo na versão também pós-modernista de Negri e Hardt, opondo o “império” à “multidão”. O autor prefere teorizar sobre um “enxame digital”, que se distinguiria da “massa tradicional”, a qual, “como a massa de trabalho, não é volátil, mas sim dotada de vontade … e não constitui um paradigma efêmero, mas sim formações firmes. Com uma alma, unida por uma ideologia, ela marcha em uma direção”7, mas o mundo de hoje seria o dos enxames, da volatilidade… Deixemos para outros essas elucubrações.

O fato é que Han também escreveu sobre a crise da Covid 19, um texto que circulou bem na internet, no qual trata o tema das respostas nacionais à pandemia, considerando que os países asiáticos estariam controlando melhor a situação que a Europa por causa de uma “mentalidade autoritária” que facilitaria a adoção de medidas de vigilância digital que a consciência crítica europeia não permitiria.

Não é que a Europa não tenha adotado também a vigilância digital, posto que se trata de importante instrumento também para regular aquele poder de matar democratizado, mas, segundo o autor, “na Ásia impera o coletivismo. Não há um individualismo acentuado … Ao que parece o big data é mais eficaz para combater o vírus do que os absurdos fechamentos de fronteiras que estão sendo feitos nesses momentos na Europa. Graças à proteção de dados, entretanto, não é possível na Europa um combate digital do vírus comparável ao asiático”8. A posição do autor é inequívoca: “espero que após a comoção causada por esse vírus não chegue à Europa um regime policial digital como o chinês”9. Em todo caso, “a China poderá agora vender seu Estado policial digital como um modelo de sucesso contra a pandemia. A China exibirá a superioridade de seu sistema ainda mais orgulhosamente. E após a pandemia, o capitalismo continuará com ainda mais pujança”10.

A descrição das políticas em diferentes países é interessante, mas sua reflexão é de um momento inicial, quando a expansão da pandemia nos Estados Unidos, por exemplo, ainda não adquirira a dramaticidade que viria a apresentar logo após. Assim, a avaliação positiva que faz do caso do Japão parece ter sido precipitada. Tampouco são citados países ocidentais aparentemente bem-sucedidos, como Cuba, Venezuela e inclusive a Alemanha, onde vive o autor, de modo que a hipótese central de uma separação entre as respostas à crise no Oriente e no Ocidente, estabelecendo uma oposição de princípio entre liberdade e eficiência respaldada por diferenças de ordem cultural, fica prejudicada, pelo menos enquanto não se conheça o balanço final, após concluído o movimento de expansão global da pandemia, incluindo países importantes como Rússia, Índia e Brasil.

E mesmo que os dados confirmem uma maior adequação da resposta dos países asiáticos, a relação entre autoritarismo e eficácia ainda teria que ser provada. Uma hipótese alternativa, que também precisaria ser testada, poderia ser a de que a capacidade de resposta seria superior naqueles países menos atingidos, ao longo dos últimos 30 ou 40 anos, pelas políticas neoliberais e onde foram mais preservadas as capacidades de intervenção estatal, de planejamento, de mobilização social para fazer frente a crises e catástrofes, de adoção de políticas públicas adequadas de inclusão social etc.

Mike Davis, num artigo com o sugestivo título de “a crise do coronavírus é um monstro alimentado pelo capitalismo”, no item não menos sugestivo, “o legado da austeridade”, supõe, de forma mais cuidadosa, a superioridade da resposta chinesa em relação à americana: “daqui a um ano podemos olhar para trás com admiração para o sucesso da China em conter a pandemia, mas com horror ao fracasso dos Estados Unidos. A incapacidade das nossas instituições de manter a Caixa de Pandora fechada, é claro, não é uma surpresa. Desde pelo menos 2000, temos visto repetidamente falhas na linha de frente dos cuidados de saúde”11.

O artigo de Davis faz parte de uma coletânea sobre o tema composta por textos traduzidos ao português de importantes autores marxistas, que deixarei para comentar, pela sua complexidade e importância, em uma próxima ocasião12. Mas todos sabemos bem do que ele fala. Não se trata aqui de desqualificar a discussão, proposta por Byung-Chul Han, das diferenças entre Oriente e Ocidente, um tema, aliás, tratado por Gramsci, por exemplo, na sua definição mesma de sociedade civil. Mas a conclusão do autor – criticando explicitamente a posição de Zizek, que tampouco vou analisar aqui, segundo a qual o vírus colocaria o capitalismo em cheque – não passa de um inconclusivo jogo de palavras:

“O vírus não vencerá o capitalismo. A revolução viral não chegará a ocorrer. Nenhum vírus é capaz de fazer a revolução. O vírus nos isola e individualiza. Não gera nenhum sentimento coletivo forte. … Precisamos acreditar que após o vírus virá uma revolução humana. Somos NÓS, PESSOAS dotadas de RAZÃO, que precisamos repensar e restringir radicalmente o capitalismo destrutivo, e nossa ilimitada e destrutiva mobilidade, para nos salvar, para salvar o clima e nosso belo planeta”13.

Ou seja, o capitalismo vencerá e o que nos cabe é “acreditar que virá uma revolução humana” para restringir o “capitalismo destrutivo” (não fica claro se existiria outro, não destrutivo, ou se se trata de restringir “radicalmente” o caráter destrutivo do capitalismo, ou ainda se o problema seria apenas com o eficiente capitalismo chinês, oriental) e também a “nossa” mobilidade destrutiva, nós, pessoas dotadas de razão (com toda a ênfase) e preocupadas com o “nosso belo planeta”. Enfim: idealismo conformista, reafirmando a crença numa razão abstrata capaz de regular o capitalismo para controlar o quanto possível seu caráter destrutivo, mas reconhecendo a impossibilidade de superá-lo.

Ora, o que a crise sanitária em curso explicita são justamente os limites do desenvolvimento capitalista, cujos interesses – a valorização tautológica do capital, que redunda na expansão sem limites da forma mercadoria e, com ela, de uma sociabilidade consumista destrutiva, concentração absurda de riqueza, miséria e violência crescentes, destruição do meio ambiente – chocam-se com os interesses humanos, expondo o conjunto dos indivíduos a graves, inéditos e crescentes riscos, os quais ele próprio, por sua lógica imanente, não tem – e demonstra hoje claramente não ter – capacidade de mitigar. Uma lógica destrutiva da qual o reformismo esperançoso de Han não nos livrará.

É certo que o vírus não derrotará o capitalismo, como ele diz, mas provavelmente, ao final da crise, o grande vampiro, pilotado pela ultradireita neoliberal global, retornará ainda mais sedento de sangue. Como apontam Coggiola e Azevedo, numa situação de crise econômica extremamente agravada pela pandemia, “a única saída viável para os trabalhadores e explorados em geral é impor uma centralização compulsória de todos os recursos do país, com base em um único plano social e econômico, sob a mobilização e liderança dos próprios trabalhadores”14, mas isso evidentemente não faz sentido para Han.

Mas se há esperança possível, ela reside justamente não na “revolução humana”, seja lá o que isso quer dizer, mas lá onde nosso autor não quer ver, naquela revolução que, nas palavras de Césaire, outro dos grandes representantes do pensamento negro, “substituirá a estreita tirania duma burguesia desumanizada pela preponderância da única classe que tem ainda missão universal, porque na sua carne sofre de todos os males da História, de todos os males universais: o proletariado”15.

E este deve entender que “o estilo de vida criado pelo capitalismo industrial sempre será o privilégio de uma minoria. O custo em termos de depredação do mundo físico desse estilo de vida é de tal forma elevado que toda tentativa de generalizá-lo levaria inexoravelmente ao colapso de toda uma civilização, pondo em risco as possibilidades de sobrevivência da espécie humana”16. Se, como dizia Mbembe em trecho citado acima, a humanidade do ser humano não está dada, a tarefa do proletariado a que se refere Césaire é hoje, na luta, construir uma nova e livrar-nos do rastro de destruição e morte que o domínio do capital vem semeando.

*Professor titular aposentado do Departamento de Economia da Universidade Federal de Sergipe (UFS), Docente do Mestrado Profissional em Economia e Desenvolvimento da Universidade Federal de Sergipe (Propec/UFS), Líder do grupo de pesquisa Obscom/Cepos.

1Antonio Negri. Entrevista publicada na Folha de São Paulo, 30/03/2003 – Caderno A, p. 26. BORON, Atilio (2002). Imperio e imperialismo. Buenos Aires: Clacso faz uma crítica extensa do conhecido livro Imperio, de Negri e Hardt (edição brasileira de 2001, pela Record, Rio de Janeiro). No prólogo à 5ª edição (2004), Borón faz uma série de considerações derivadas do ataque norte-americano ao Iraque, onde cita essa curiosa afirmação de Negri, feita também em entrevista a um diário argentino. Eu mesmo produzi uma crítica ao livro à época (O império contra-ataca), disponível ainda no portal EPTIC <www.eptic.com.br>.

2GORZ, André (1998). Miserias del presente, riqueza de lo posible. Buenos Aires: Paidós. Esta referência foi extraída de LESSA, Sergio (2005), Para além de Marx? Crítica da teoria do trabalho imaterial. São Pualo: Xamã, que faz uma excelente revisão crítica dos trabalhos de Negri, Hardt e Lazzaratto anteriores ao Império, dando-se ao trabalho de “leitura de livros enormes, textos rebuscados e de estilo na maior parte das vezes rococó” (p. 15), pelo que devemos registrar nosso agradecimento.

3Achille Mbembe. Entrevista publicada na Folha de São Paulo, 30/03/2020. In: <https:/ /www1.folha.uol.com.br/cotidiano/coronavirus/> Acesso em 26/04/2020.

4MBEMBE, Achille (2018). Necropolítica. São Paulo: M-11, 2019, p. 59.

5MBEMBE, Achille (2010). Sair da grande noite. Ensaios sobre a África descolonizada. Petrópolis: Vozes, 2019, p. 245.

6FANON, Frantz (1952). Pele negra máscara brancas. Salvador: Editora UFBa, 2008, p. 186.

7HAN, Byung-Chul (2013). No enxame. Petrópolis: Vozes, 2018, p. 30

8HAN, Byung-Chul (2020). O coronavírus de hoje e o mundo de amanhã. In: Revista IHU Online, Instituto Humanitas Unisinos, 23 Março 2020. Publicado originalmente em El Pais, 22/03/2020.

9Idem

10Idem

11DAVIS, Mike (2020). A crise do coronavírus é um monstro alimentado pelo capitalismo. In: HARVEY, David; ZIZEK, Slavoj; BADIOU, Alain; DAVIS, Mike; BIHR, Alain; ZIBECHI, Raúl (2020). Coronavirus e luta de classes. Editora Terra sem Amos <www.terrasemamos.wordpress.com>, p. 7.

12Cito apenas os títulos dos artigos e os nomes dos autores para que se tenha uma ideia do conteúdo. Além do texto de Davis citado na nota anterior, constam: “Política anticapitalista em tempos de COVID-19” (David Harvey); “França: pela socialização do aparato de saúde” (Alain Bihr); “Coronavírus: a militarização das crises” (Raúl Zibechi); “Sobre a situação epidêmica” (Alain Badiou); “Um golpe como ‘Kill Bill’ no capitalismo’ (Slavoy Zizek)

13HAN, Byung-Chul (2020), op. cit.

14COGGIOLA, Osvaldo; AZEVEDO, Edgar (2020). Pandemia, crise do capital e luta de classes, mimeo.

15 CÉSAIRE, Aimé (1956). Discurso sobre o colonialismo. Lisboa: Sá da Costa Editora, 1978, p. 69

16FURTADO, Celso (1974). O mito do desenvolvimento. São Paulo: Círculo do Livro, p. 74-75.