As manifestações em Cuba e a sofisticação dos golpes de Estado

Foto: Alexandre Meneghini/Reuters

Gisele Borges

Doutoranda pela Sorbonne Paris Nord – França.

Pesquisadora associada da Universidade de Dublin -Irlanda.

Introdução

Nos últimos meses, a imprensa internacional buscou enquadrar os protestos em Cuba como uma suposta “Primavera Cubana”, sendo considerada a maior ação contra o governo desde os protestos do Maleconazo [1], em 1994. Contudo, enquadrar os protestos da atualidade como “primavera” implica em ter uma avaliação positiva desses movimentos quando, na verdade, eles serviram na imensa maioria das vezes (falo das chamadas primaveras árabes [2] e dos protestos digitais [3]) como álibi para a ação da ofensiva capitalista visando a derrubada de governos, a destruição nacional e a implantação de regimes favoráveis ao imperialismo americano. Neste sentido, nos parece importante analisar como a existência das inovações trazidas pela Internet e pelas plataformas digitais apresentam formas mais sofisticadas de manipulação e de ação dos Estados Unidos contra a soberania dos países. Para isso, faremos uma análise voltada à Economia Política da Comunicação e da Internet a partir da perspectiva de “redes sociais” de José van Dijck e Thomas Poell (2013) e do conceito de informação de César Bolaño (2000). Em seguida, abordaremos as mudanças políticas e sociais de Cuba à luz da Contentious Politics de Tilly e Tarrow (2007). No intuito de observar como essas dinâmicas se sobrepuseram na construção dos protestos digitais e na ação do imperialismo americano. 

Contexto histórico 

Antes de analisar as manifestações à luz da EPC e da Contentious Politics  é preciso reforçar o aspecto histórico e considerar que o governo cubano possui um modelo político diferenciado, marcado pela Revolução de 1959 e pelo isolamento político após a queda da União Soviética. Esses elementos construíram no país um modelo político centralizado, que atua na resistência à ofensiva do capitalismo global e da ideologia neoliberal.

Neste contexto de disputa ideológica, para manter o modelo socialista, o país passou por uma série de mudanças nos anos 2000 aprofundadas pelo afastamento do líder da revolução Fidel Castro e pela ascensão de Raúl Castro à presidência em 2013. Com Raúl no poder, os modelos econômico e social de Cuba passaram por reformas que trouxeram modernização à estrutura administrativa, a implementação Internet residencial em 2015 e permitiram a entrada de empresas de tecnologia como o Google e o Youtube no país em 2018.

Além dos processos de adaptações políticas e econômicas criados para contornar o embargo econômico imposto pelos EUA, o país viu sua população crescer e a juventude se distanciar dos ideais da revolução. Mesmo que existam movimentos de juventude (estudantil) favoráveis ao socialismo e à preservação das conquistas da revolução. Ainda nos anos 1990, surgiram movimentos sociais ligados ao debate de gênero, etnia, orientação sexual etc. Ao longo dos anos, esses movimentos conseguiram criar formas de ação coletiva que modificaram a relação com o Estado a ponto de articular demandas e criar políticas públicas. 

Em 2016, apesar do serviço de Internet ser precário, surgiram os primeiros youtubers da ilha, os quais realizaram, no ano seguinte, o encontro de youtubers cubanos (Vanessa Souza Oliveira, 2019; Willian Casagrande Fusaro, 2021). Com a mudança na Constituição em 2019, seguida do acesso à internet 3G, ampliou-se a presença dos  ativistas on-line revigorando o debate em torno de direitos sociais na esfera pública. Se, por um lado, a flexibilização da estrutura política e econômica permitiu mais diálogo e circulação de informação, por outro, possibilitou a personalização de conteúdo e a manipulação de informação nas plataformas de redes sociais. Cabe ressaltar que tanto o conteúdo produzido pelos influencers cubanos, quanto as pautas identitárias, se transformaram em armas do imperialismo contra a revolução cubana que os utilizavam por meio de mensagens extremistas divulgadas nas plataformas digitais, no intuito de fomentar a intolerância em nome da liberdade de expressão.

Economia digital e a diplomacia americana 

Ao analisar as manifestações em Cuba na perspectiva da Economia Política da Comunicação e da Internet, podemos inferir que todas as tentativas do povo de ampliar o acesso a Internet e a entrada da empresa Google e das demais BigTechs em solo cubano contribuíram para intensificar a presença imperialista no espaço virtual caribenho. Isso ampliou as possibilidades de uma dita guerrilha digital para enfraquecer o governo socialista. Para os autores José van Dijck e Thomas Poell (2013), as plataformas de redes digitais são projetadas para promover interação e para disputar a atenção dos usuários através da manipulação de informação e da vigilância social. 

Essa busca por interação está centrada em quatro pilares: a (1)  programabilidade, compreendida como a capacidade das plataformas de conduzir a ação dos usuários por meio do fluxo de informação, seguido da (2) popularidade que contribui na construção das “personalidades digitais” (os famosos influencers), capazes de dialogar com grandes grupos sociais. Para que, isso se torne eficiente, os autores apontam a (3) conectividade como capacidade dos usuários terem acesso tanto ao conteúdo como quanto aos anunciantes e, por fim, a (4) datificação que corresponde à capacidade da plataforma de coletar e organizar muitos dados ao mesmo tempo. Neste sentido, os três primeiros aspectos aqui mencionados servem para ampliar a capacidade de coleta deste último ampliando, assim, a manipulação e o controle social. 

Até o momento, nada de novo, tendo em vista que o governo cubano tinha consciência desse risco ao permitir a entrada de empresas estrangeiras no país. Contudo, a falta de alternativas ao modelo de negócio da Internet atual levou o país a avançar nessa direção. O resultado foi o ataque digital, logo após Cuba ter tido vitórias importantes no cenário internacional. A começar pela Vacina contra a Covid-19 [4]  – Soberana e Abdala – com eficiência imunológica de 90% e que será produzida também no Vietnã para garantir a produção em massa. É preciso lembrar que Cuba, até agora, é o único país do terceiro mundo que desenvolveu vacina própria graças ao foco da revolução nas políticas sociais, nas biotecnologias e na medicina social a exemplo dos médicos cubanos que realizam ações humanitárias no mundo todo. A segunda vitória foi no campo da diplomacia internacional, em que mais uma vez (pelo 29º ano consecutivo) o apelo pelo fim do embargo econômico foi defendido pela Assembleia Geral da ONU. 

Acredita-se que não seja nenhuma coincidência que o ataque digital em Cuba tenha começado algumas semanas após o encontro da ONU, como uma tentativa de reduzir o protagonismo cubano e fomentar a fragilidade econômica e social do país e, com isso, construir uma narrativa que oscila entre a solidariedade e a indignação contra as condições estruturais da população. O segredo, aqui, foi apropriar-se da lógica das plataformas [5] (van Dijck e Poell, 2013) através da disseminação de reivindicações atreladas ao uso de hashtags, como #SosCuba e #SosMatanzas, que facilitam a leitura dos algoritmos e contribuem para a moderação do conteúdo de forma automática, por meio de bots, robôs e inteligência artificial. Isso permitiu que rapidamente as mensagens disseminadas atingissem o máximo de usuários da ilha [7]. 

Outro elemento que confirma que as manifestações em Cuba foram um golpe, foi o local onde começaram os protestos, na pequena San Antonio de los Baños, uma das cidades que possuem o maior índice de consumo de Internet do país [6]. Este elemento pode ser reforçado pelo volume de mensagens que circularam na Internet nos dias das manifestações: 60% do conteúdo em apoio aos manifestantes foi compartilhado de fora da ilha

Neste ponto, cabe aplicar o conceito de César Bolaño (2000) com relação à função da informação que passa de publicidade a propaganda para atender os interesses do mercado e do Estado. No caso das plataformas digitais, ela ocupa a função programa subentendido no processo de interação dos usuários. Essa interação é a essência da estratégia imperialista para atacar a soberania dos países de dentro para fora. 

Todos esses pontos indicam aquilo que comentamos no início deste texto: que o ataque digital em Cuba foi articulado para atender aos interesses políticos e econômicos dos EUA. Já, a sofisticação do golpe está representada na ação das empresas de tecnologia que atuam como uma espécie de “cupim” dentro do espaço digital permitindo que se instale a instabilidade política por meio da interação dos usuários. 

Contentious Politics (confronto político) e as manifestações cubanas

Se, por um lado, a EPC nos fornece elementos importantes para observar a macro dinâmica dos protestos (ataques) digitais da atualidade à luz dos interesses comerciais, por outro, a  Contentious Politics, de Charles Tilly e Sidney Tarrow (2007), concentra-se em observar os micro processos presentes nestes confrontos e as dinâmicas locais. Para os autores, o confronto político se inicia quando grupos sociais fazem reivindicações de forma organizada com o intuito de modificar uma dinâmica política e social. Para isso, todo confronto político precisa: (1) ser composto por reivindicações vinculadas a interesses comuns (como pautas identitárias e estruturais),  (2) ter o governo envolvido no centro das reivindicações, e (3) reunir três elementos importantes da vida social – o confronto, a ação coletiva e a política (Charles Tilly e Sidney Tarrow, 2007). Neste sentido, todas as ações dos movimentos sociais, os ciclos de protestos e as revoluções podem ser enquadrados por esta teoria. Seria importante, aqui, fazer uma crítica à  Contentious Politics com base na perspectiva dialética da EPC, contudo, não seria possível nos limites deste artigo.

Neste sentido, buscaremos apenas observar como os elementos mencionados acima podem servir como chave de análise para compreender as micro dinâmicas dos processos sociais e assim entender os detalhes da estratégia do imperialismo na construção de instabilidade política seguida da derrubada de governos e a implantação de regimes pró-americanos. Se observarmos atentamente as causas dos protestos digitais do século 21, iremos encontrar em praticamente todos a dinâmica descrita  por Tilly e Tarrow (2007), com destaque para os protestos digitais conhecidos como Put People First (PPF) na Inglaterra, em 2009 [8], seguidos da Primavera Árabe que popularizou esse  tipo de ação coletiva em 2010-2011 e mesmo as guerrilhas digitais e revoluções coloridas, que aliás, são casos radicais de mobilização da extrema-direita visando derrubar governos. 

Temos também, como exemplo, o caso paradigmático da Ucrânia, onde grupos neonazistas atuavam abertamente sob o respaldo dos EUA e da Europa. Todos sabemos que o objetivo do imperialismo, no caso, era derrubar o governo eleito, pró russo, e expandir a OTAN mais para o leste, contrariando os acordos da época da dissolução da URSS. O que unifica todos esses movimentos são: (1) o uso das tecnologias e  (2) o avanço da extrema-direita nos países afetados por essas reivindicações on-line que são feitas, majoritariamente, pelo público jovem através do conteúdo customizado e disseminado em alta velocidade. 

Em todos os contextos, os governos estão no centro das reivindicações e as manifestações começam com pequenas ações coletivas. As pequenas ações logo se tornam grandes e são seguidas de confrontos reprimidos através da força policial. Estes confrontos chamam a atenção da esfera pública, ampliam o debate social e contribuem para a manipulação da “opinião pública” para, assim, legitimar os golpes de estados. Consequentemente, o aumento de debate sobre o tema leva os governos a realizar uma ação política, com o intuito de dar fim aos protestos. Essa ação, na maioria das vezes, acaba atendendo parte das reivindicações dos manifestantes e causa um reposicionamento na esfera governamental. Esse fenômeno acontece quando a estratégia da direita é bem sucedida. 

Porém, nem em Cuba, e nem na Venezuela, essa estratégia deu certo até agora. As campanhas de manipulação na grande mídia, no entanto, seguem. E o bloqueio idem. No caso cubano, o imperialismo lançou inclusive a escandalosa palavra de ordem da “intervenção humanitária”, como já havia tentado recentemente na Venezuela, com o apoio dos governos do Brasil e da Colômbia. A resposta de Cuba aos protestos veio através dos cortes dos pontos de Internet, da  repressão policial e da manifestação em defesa do governo. O que pode ser considerada uma repressão super-light se comparada com as brutais ofensivas na Colômbia ou no Chile, com centenas de mortos, gás de pimenta, balas de borracha disparadas contra os olhos dos manifestantes, às quais não se deu maior repercussão. Além disso, o povo cubano ainda respondeu ao golpe com uma mobilização popular, a favor do governo, que calou o intento golpista. 

Neste sentido, podemos constatar que existe uma confluência de fatores atuando nos processos dos protestos digitais da atualidade. Esses fatores não podem ser observados de maneira isolada tendo em vista que existe uma estratégia do imperialismo americano de uso das plataformas para criar instabilidade política e promover a derrubada dos governos. Na maioria dos casos, existe também um ambiente interno de fragilidade política e social que propicia a eclosão de manifestações fomentadas pelas mensagens nas redes e, muitas vezes, são sustentadas pela indústria midiática tradicional. Isso tudo levanta o debate em torno da arquitetura da Internet e da necessidade de fomentar uma narrativa contra-hegemônica que permita o aparecimento de outras vozes e que não fique presa às bolhas de informação. 

Conclusão 

Para concluir, podemos dizer que o cenário das manifestações de Cuba deve ser observado como um alerta da articulação entre os interesses políticos e econômicos materializados nas ações das plataformas. Neste sentido, a declaração feita por Evgeny Morozov (2021), em entrevista recente para o El País, serve como indicativo para as forças políticas e sociais. Para o autor: “É preciso existir pelo menos um entendimento dentro das forças políticas, com os partidos políticos, os sindicatos e outras forças sobre quais são as expectativas da sociedade digital”[9]. Ou seja, é preciso olhar para o ambiente digital como um espaço em disputa. Disputa não apenas do modelo de negócio, mas da organização da informação e das alternativas tecnológicas disponíveis no momento para substituir a Internet atual. Lembrando que essa disputa é assimétrica, pois o modelo de negócio da Internet atual está sob o controle das grandes empresas e, majoritariamente, do governo americano e isso representa um risco para a soberania e independência das nações, como identificamos nos protestos digitais da última década que na sua totalidade serviram aos interesses políticos do imperialismo Norte Americano. 

Para mais informações sobre o debate sobre as FakeNews em Cuba: http://www.cubadebate.cu/

Notas:

[1] Protestos massivos na capital cubana marcaram a década de 1990 após a queda da União Soviética em 1989.

[2] Primavera Árabe no Oriente Médio.

[3] Los Indignados, na Espanha, Occupy Wall Street, nos Estados Unidos, Junho 2013, no Brasil, Les Gilets Jaunes, na França.

[4] Comparada apenas às vacinas comercializadas na Europa. 

[5] Baseiam-se na personalização de conteúdos para ampliar a interatividade e assim favorecer a coleta de dados dos usuários a serviço das guerrilhas digitais.

[6] Conforme informações do Portal Vermelho.org acesso em 01. 08.2021.

[7]  idem 6.

[8] Protesto organizado alguns dias antes da reunião dos líderes do G20 em Londres, os manifestantes reuniram mais  35 mil pessoas em defesa do trabalho, direitos humanos e meio ambiente. Brian D. Loader, Dan Mercea, Social Media and Democracy: Innovations in Participatory Politics.2012.

[9] Morozov, E. (2021). “ Simpatizar com as empresas de tecnologia é uma forma perversa de síndrome de Estocolmo ,” 1–10.

Bibliografia:

BOLAÑO, César. Indústria Cultural, Informação e Capitalismo. São Paulo: Hucitec/Pólis. 2000.

BOBES, V. C. Movimentos sociais e nova Constituição em Cuba: mudanças e inovações em seus repertórios [online]. SciELO em Perspectiva: Humanas, 2021 [viewed 26 August 2021]. Available from: https://humanas.blog.scielo.org/blog/2021/04/22/movimentos-sociais-e-nova-constituicao-emcuba- mudancas-e-inovacoes-em-seus-repertorios

BRITO, Julian Araujo. PÁTRIA OU MORTE”: a revolução cubana e a crise

dos anos 1990. Sem Aspas, Araraquara, v. 1, n. 1 p. 87-101, 1º semestre de 2012

______  Julian Araujo. Cuba em transformação: regime político e o contexto da “atualização do modelo econômico e social” REBELA, v. 3, n.2, fev.p.284 – 299. 2014

OLIVEIRA, Vanessa. (2019). O Panorama da Internet em Cuba e uma Análise da Chegada do Google na Ilha. Revista de Estudos e Pesquisas Sobre as Américas, 13(3), 135–174. https://doi.org/10.21057/10.21057/repamv13n3.2019.26972

PERIC, L. B. As manifestações em Cuba Luiz Bernardo Pericás analisa as manifestações em pelos ideais da revolução.p.1–6. 2021.

SILVA, M. R. (2013). “ acceso social ” a Internet en Cuba en un contexto de cambios, 1–62.

TILLY, Charles & TARROW, Sidney. ContentiousPolitics.Paradigm Publishers. London. 2007

VAN DIJCK, J., & POELL, T Understanding Social Media Logic. Media and Communication.1(1), 2-14. 2013.

Podcast Cutucando Dados #6. A Internet em Cuba. Disponível em: https://anchor.fm/jogando-dados/episodes/Cutucando-os-Dados-6—A-internet-em-Cuba-e11na24 

Podcast Cutucando os Dados #7 – A EPC e os protestos em Cuba

A Informação Livre na Internet e o Sleeping Giants

Guilherme Bernardi12

A semana de 17 a 22 de maio apresentou vários momentos para que pensemos as mídias sociais, a internet livre e como aparecem e se misturam as formas publicidade e propaganda, expostas por Bolaño (2000)3, na era da rede mundial de computadores e suas ferramentas digitais de informação e comunicação.

Em uma definição rápida, a forma funcional publicidade é aquela própria ao mercado e necessária para a circulação de mercadorias. Já a propaganda é própria ao Estado, necessária para a coesão e organização social.

Na segunda-feira (18), Felipe Neto, um dos maiores youtubers do país, esteve no centro do Roda Viva, da TV Cultura, um dos mais tradicionais programas da televisão brasileira. A entrevista rendeu discussões sobre os termos que ele usou (golpe, fascismo…), mas também sobre a influência da internet no debate público, os limites desse apoio e qual o papel de pessoas como ele na construção de oposição ao atual governo do Brasil em meio – principalmente, mas não só – a uma pandemia. Voltaremos ao assunto na sequência.

Antes disso, entretanto, no domingo (17), o El País Brasil publicou um texto no qual destaca a atuação do movimento Sleeping Giants nos Estados Unidos4. O movimento criado em novembro de 2016 (ano da eleição de Donald Trump), através de um perfil no Twitter (@slpng_giants), informa e alerta empresas, anexando prints, de que a publicidade de seus produtos está sendo anunciada em sites de extrema-direita. Com isso, as empresas podem entrar em contato com o contratado e fazer com que a publicidade nesse tipo de site/conteúdo seja retirada, desferindo um golpe no financiamento de produtores midiáticos que recebem muitos cliques a despeito ou por causa do conteúdo mentiroso ou sensacionalista que criam e propagam.

Três dias depois, na quarta-feira (20), o mesmo El País Brasil noticiou que um estudante que desenvolve pesquisas relacionadas a fake news criou um perfil brasileiro do movimento (@slpng_giants_pt)5. Em menos de uma semana, o perfil passou a mais de 200 mil seguidores e entrou em choque com o governo federal ao informar ao Banco do Brasil (BB) que havia publicidade sua no site Jornal da Cidade Online6. Em um primeiro momento, o BB retirou a publicidade do site, mas, após reclamações de membros do governo e de Carlos Bolsonaro, filho do presidente, a publicidade foi restaurada.7

Na mesma quarta-feira foi publicado o episódio número cinco do Jogando Dados, podcast sobre Economia Política da Comunicação (EPC) fruto da parceria Cubo/UEL e CEPCOM/UFAL, no qual a discussão partiu de uma pergunta simples: “A informação é livre na internet?”8 Para nós, membros do podcast, ela não é. Para justificar a resposta, abordamos algumas das questões que retomaremos a seguir, mas também outras mais, que não serão exposta aqui, mas estão no episódio de pouco mais de uma hora.

Há uma espécie de senso comum geral que acha que sim, que a internet é livre, mas é preciso de algumas formas de regulação (seja de conteúdo ou de mercado). Nesse sentido, no começo do mês, o Facebook anunciou um comitê de especialistas para regular postagens e conteúdos feitos no site de rede social.9 Há várias críticas possíveis de serem feitas, como a falta de transparência sobre o tipo de postagem que será excluída e quais os parâmetros para tal, afinal, postagens diversas já foram excluídas de forma aparentemente sem sentido (desde conteúdo relativo à pandemia até a histórica foto do soldado soviético com a bandeira da União Soviética no Reichtag, em 194510), mas também, como argumenta o professor Siva Vaidhyanathan, da Universidade da Virginia, sobre a composição do comitê, há a maioria de membros dos Estados Unidos e os próprios limites técnicos (número de postagens, linguagem delas etc.) no comitê11. Ele coloca ao final do artigo que o problema do Facebook não é a regulação de conteúdo e postagens que foram/são excluídas, mas o próprio Facebook. Esse argumento aparece já em seu livro sobre o site12.

Poderíamos argumentar mais além, que a estrutura da internet, privatizada e massificada na década de 1990, baseia-se na venda de publicidade (principal fonte de recursos de Google e Facebook, por exemplo) e no domínio de megacorporações, como as reunidas na sigla GAFAM (Google, Amazon, Facebook, Apple e Microsoft), que têm ações em bolsas de valores e são grandes grupos que lucram ainda com especulação e financeirização da economia.

Entretanto, além dessas nuances de interesses de corporações privadas e do capital financeiro não serem o foco principal, geralmente o debate fica muito superficialmente na regulação do conteúdo e no combate as assim chamadas fake news, que, como tratamos em outros episódios, especialmente o #113, existem como possibilidade e realidade desde muito antes.

Enfim, tudo isso para voltar no ponto de que as iniciativas como o movimento Sleeping Giants são bem interessantes e notificar empresas para que tirem seus anúncios de sites de fake news e de extrema-direita e afins são importantes em uma, digamos, disputa mais pontual, mas o grosso (esse sistema de financiamento e de “direcionamento” de publicidade) está lá ainda.

Na quinta-feira (21), o professor Marcelo Castañeda (UFRJ), em seu perfil no Twitter (@celocastaneda), apontou o problema do Google e do AdSense14, mas foi o professor Fabio Malini (UFES) quem desenvolveu e publicou, também em seu perfil no site (@fabiomalini), um fio sobre o coração do tipo de negócio dos propagandistas da extrema-direita. Segundo Malini, o movimento citado acima ataca a “franja” da micropropaganda, mas falta atacar o “núcleo duro” que é, para ele, o Google15.

Concordamos com Malini que o Google e o sistema do AdSense são um problema, assim como todo esse sistema baseado na forma publicidade (remuneração, recomendação de conteúdo ou parametrização de algoritmo para montagem de linhas do tempo), entretanto, discordamos não da necessidade, mas da possibilidade/efetividade de uma regulação do Google. Não se mostra possível dentro da lógica contemporânea do capital financeiro e do neoliberalismo uma regulação do tipo fordista, que vigorou nos países centrais no período pós-guerra.

Esse sistema baseado na lógica da publicidade, entretanto, já se espraiou para além do mercado e está misturada com a da propaganda. Por exemplo, as revistas acadêmicas são ranqueadas em relevância de acordo com um algoritmo do Google, mas também a própria ideia de importância de algum tipo de pesquisa ou desenvolvimento acadêmico está sendo pautada pela relevância/retorno à sociedade – isso, claro, baseado em visualizações, pessoas impactadas, divulgação etc.16 Ou seja, no lugar da discussão sobre métodos e formas de produção de conhecimento, estamos nos pautando por modelos de divulgação, de citação e quantidade de referências/pessoas alcançadas e afins. O que era da lógica do Estado organizar, agora está sendo pautado pelo mercado através da forma publicidade.

Para fechar a semana, na sexta-feira (22), o Supremo Tribunal Federal (STF) liberou a divulgação de uma reunião entre ministros e presidência da república17. Pouco há de provas18, mas esse tipo de informação é noticiada, repercutida, comentada, enfim, é circulada e pauta o debate “público”. A publicidade desse tipo de conteúdo pouco fragiliza o governo, mas serve e muito para reorganizar e garantir a coesão da base bolsonarista. Em outros termos, é a propaganda operando pela lógica da publicidade.

Voltemos então ao episódio do Felipe Neto para encerrar essa primeira abordagem do tema, que deverá ser desenvolvida posteriormente na sequência das pesquisas. Felipe Neto foi ao Roda Viva, defendeu pautas “progressistas” e virou alvo de uma série de discussões sobre sua mudança, que tipo de composição pode ser feita com gente como ele (arrependidos, influenciadores digitais…) e sobre o uso de termos como golpe e fascismo para falar de 2016 e do atual governo do Brasil. Tudo isso pode ser interessante de se discutir, mas não é o foco desse texto.

Mais relevante aqui é a discussão levantada a partir de postagem feita pela professora Suzy Santos (UFRJ) em sua página no Facebook19. Nela, Santos faz uma pergunta bem simples, mas que não foi feita ao entrevistado no programa: Por que Felipe Neto fala como progressista na televisão e no Twitter, mas não posta nada do tipo no YouTube, onde tem mais alcance e de onde recebe a maior parte de seus rendimentos? Essa mistura das formas publicidade e propaganda aparece como o convite para que Felipe Neto participe do programa e seja tido como relevante por causa de seu alcance e da repercussão que gera, ou seja, da publicidade, mas ele entra nesse espaço “público” e da discussão mais ligada à forma propaganda sem, entretanto, arriscar penalizar sua fonte de lucros (o YouTube), afinal, ele provavelmente entende muito mais de internet do que nós.

Entender, portanto, como o governo e o Estado estão atuando de acordo com o espraiamento da lógica do mercado através da forma publicidade ajuda a pensar em como travar um embate através dela (estratégias de monetização de conteúdo junto à denúncia de outros, formas mais adequadas de atuação nas redes sociais e no jornalismo etc.), mas, no final, é importante reiterar que o problema é da própria forma, logo, não é possível superar o problema sem a superação da forma social da comunicação e do próprio capitalismo.

1Esse artigo surgiu de um fio elaborado no Twitter e de conversas com os outros membros do podcast Jogando Dados (Anderson Santos, Gabriela Fernandes Silva, Manoel Dourado Bastos) durante e entre os episódios.

2É jornalista do Sindiprol/Aduel, mestrando do programa de pós-graduação em Comunicação da UEL e membro do podcast Jogando Dados.

3 BOLAÑO, César. Indústria cultural: informação e capitalismo. São Paulo. Pólis/Hucitec. 2000.

4QUEIMALIÑOS, Rebeca. O homem que arruinou a extrema-direita. El País Brasil, 17 maio 2020. Disponível em: <https://brasil.elpais.com/icon/2020-05-17/o-homem-que-arruinou-a-extrema-direita-nos-eua.html> Acesso em: 22 maio 2020.

5PIRES, Breiller. Movimento expõe empresas do Brasil que financiam, via anúncios, sites de extrema direita e notícias falsas. El País Brasil, 20 maio 2020. Disponível em: <https://brasil.elpais.com/brasil/2020-05-20/movimento-expoe-empresas-do-brasil-que-financiam-via-publicidade-sites-de-extrema-direita-e-que-propagam-noticias-falsas.html> Acesso em: 22 maio 2020.

6Caso alguém queira ver o tipo de conteúdo publicado no site, o endereço é: https://www.jornaldacidadeonline.com.br/ .

7MATTOSO, Camila; CARNEIRO, Mariana; SETO, Guilherme. Após reclamação de Carlos Bolsonaro, Banco do Brasil volta atrás e mantém publicidade em site. Folha de S. Paulo, 21 maio 2020. Disponível em: <https://www1.folha.uol.com.br/colunas/painel/2020/05/apos-reclamacao-de-carlos-bolsonaro-banco-do-brasil-volta-atras-e-mantem-publicidade-em-site.shtml?> Acesso em: 22 maio 2020.

8 SANTOS, Anderson; BASTOS, Manoel; BERNARDI, Guilherme. A Informação é livre na internet? Jogando Dados, 20 maio 2020. Podcast. 1 MP3 (61 min.). Disponível em: <https://anchor.fm/jogando-dados/episodes/05—A-informao–livre-na-internet-eear8o> Acesso em: 20 maio 2020.

9AFP. Facebook apresente comitê de especialistas para decidir sobre conteúdo polêmico. Estado de Minas, 6 maio 2020. Disponível em: <https://www.em.com.br/app/noticia/internacional/2020/05/06/interna_internacional,1145065/facebook-apresenta-comite-de-especialistas-para-decidir-sobre-conteudo.shtml> Acesso em: 19 maio 2020.

10No caso da exclusão de conteúdo de forma errada, é possível acompanhar a iniciativa do CensuraBot lançado pelo Observacom: https://www.observacom.org/censurabot/. Sobre a exclusão da foto do soldado soviético, ver o tuíte com a referência postada por Filipe Barini: https://twitter.com/molote_molote/status/1259131763806404609.

11VAIDHYANATHAN, Siva. Facebook and the Folly of Self-Regulation. Wired, 9 maio 2020. Disponível em: <https://www.wired.com/story/facebook-and-the-folly-of-self-regulation/> Acesso em: 19 maio 2020.

12___________________. Antisocial Media: How Facebook Disconnects Us and Undermines Democracy. Oxônia. Oxford University Press. E-book. 2018.

13SANTOS, Anderson; BASTOS, Manoel; BERNARDI, Guilherme. O que é desinformação? Jogando Dados, 22 abril 2020. Podcast. 1 MP3 (67 min.). Disponível em: <https://anchor.fm/jogando-dados/episodes/01—O-que–desinformao-ed4bnf> Acesso em: 20 maio 2020.

14https://twitter.com/celocastaneda/status/1263652717106429952

15# https://twitter.com/fabiomalini/status/1263655711411757057

16Vale ouvir o episódio sobre “Anti-Intelectualismo” do podcast Psicanálise de Conjuntura que aborda o tema. BARROS, Douglas et al. Anti-Intelectualismo. Psicanálise de Conjuntura, 19 maio 2020. Podcast. 1 MP3 (102 min.). Disponível em: <https://senscast.org/2020/podcast/psicanalise-de-conjuntura-08-anti-intelectualismo/> Acesso em: 20 maio 2020.

17Vídeo de reunião de Bolsonaro é divulgado na íntegra pelo STF; veja falas mais importantes. BBC, 22 maio 2020. Disponível em: <https://www.bbc.com/portuguese/brasil-52779195> Acesso em: 22 maio 2020.

18Poderíamos expandir e analisar como é um padrão da Lava Jato e, mais recentemente, na saída de Sérgio Moro do governo. O objetivo não é primordialmente jurídico/político, mas comunicativo. A motivação é pautar o debate, criar narrativas, abrir espaço e, aí, organizar a base. O jornalismo, num geral, ajuda e muito ao apenas publicar as faltas e dar espaço para o tipo de fala que não dividi, mas agrupa a base bolsonarista.

19https://www.facebook.com/suzy.santos.7/posts/3423032184393314

Intervozes Realiza Seminário sobre Monopólios Digitais

 

O Intervozes, Coletivo Brasil de Comunicação, realiza, na próxima quinta-feira (10/05), o “Seminário Monopólios Digitais: Concentração e Diversidade na Internet”. O evento acontece das 13h30 às 19h30 na sede do Sindicato dos Engenheiros do Estado de São Paulo, localizado na Rua Genebra, 25.

Durante, o evento será apresentada a pesquisa que deu origem ao site Monopólios Digitais (aqui), que entrará no ar na próxima quinta-feira. O estudo realizado pelo Intervozes partiu da análise dos aplicativos mais baixados, sites mais acessados, páginas de Facebook mais seguidas e canais de Youtube mais populares do país.

O seminário contará com a presença de especialistas e produtores de conteúdo para debater o cenário da Internet brasileira e o seu impacto na pluralidade de vozes presentes no debate público.

O seminário será organizado em 3 mesas:

13h30 – Monopólios digitais em uma Internet em mutação
– Jonas Valente – integrante do Intervozes e um dos autores da pesquisa
– Sérgio Amadeu – Integrante do Comitê Gestor da Internet no Brasil e professor da UFABC
– Raíssa Galvão – integrante da Mídia Ninja

15h30 – Impactos da concentração na liberdade de expressão
– Leonardo Sakamoto – jornalista e blogueiro
– Natália Néris – pesquisadora do InternetLab
– Renata Mielli – Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação

17h30 – Concentração e concorrência na Internet no Brasil
– Marina Pita – integrante do Intervozes e uma das autoras da pesquisa
– Vinícius Marques de Carvalho – ex-presidente do Cade
– João Brant – Observatório Latinoamericano de Regulación, Medios y Convergencia

Inscrições e mais informações aqui

Ou na página do evento no facebook neste link

 

Número de acessos em banda larga alcança 209 milhões em março

broadband-webO Brasil encerrou março com 209 milhões de acessos em banda larga, o que representou um crescimento de 43% frente a março de 2014, segundo levantamento da Associação Brasileira de Telecomunicações (Telebrasil). Entre abril de 2014 e março deste ano, 63 milhões de novos acessos foram ativados, num ritmo de ativação de duas novas conexões por segundo. Os números somam acessos fixos e móveis.
 
A banda larga móvel, pelas redes de 3G e 4G, liderou a expansão dos acessos à internet, chegando em março a 184,4 milhões de conexões, com 50% de crescimento em relação a março de 2014. A banda larga pela tecnologia de quarta geração (4G), que permite velocidade de conexão à internet até dez vezes mais rápida que a 3G, fechou março com 9,3 milhões de acessos.
 
Na banda larga fixa, os acessos somaram 24,5 milhões em março. Desse total, 2 milhões de conexões foram ativadas no período de doze meses, com crescimento de 9%. A infraestrutura de banda larga fixa está presente em todos os municípios brasileiros. É por meio dessas redes que as concessionárias atendem com banda larga gratuita a mais de 66 mil instituições públicas de ensino fundamental e médio, pelo programa Banda Larga nas Escolas.
 
A expansão também se deu na cobertura das redes de banda larga móvel, ativada em 318 novos municípios, no período de doze meses. Ao todo, as redes de terceira geração estão instaladas em 3.966 municípios, onde moram 93% dos brasileiros. O 4G já chega a 153 cidades, que concentram 42% da população brasileira. Essa cobertura supera em muito a meta prevista, de atendimento de 45 cidades com mais de 500 mil habitantes.
 
Nos últimos cinco anos, o número de acessos no Brasil, cresceu cinco vezes, passando de 37 milhões em 2010 para 192 milhões em 2014. Além desse extraordinário crescimento, o que se verificou foi um aumento considerável no ritmo anual de ativação. Em 2010, foram ativados 15 milhões de novos acessos. Esse volume subiu para 24 milhões em 2011, 26 milhões em 2012, 48 milhões em 2013 e 58 milhões em 2014.
Fonte: TeleSíntese

Pesquisa mostra como a TV se reinventou em tempos de hegemonia da internet

49108.137935-4K-TV-Sony

 

Netflix, YouTube, ChromeCast, Popcorn Time, Apple TV. Não é de hoje que os pessimistas vêm profetizando o fim da TV e esses serviços e produtos são apenas alguns dos arautos dessa “tragédia” que vem se anunciando há alguns anos. No entanto, assim como a internet também não matou o jornal impresso como muitos acreditavam, a televisão também está aprendendo a se reinventar nesses novos tempos.

A pesquisa TV Re[Defined] foi encomendada pela Viacom International Media Networks — proprietária de canais como MTV, Nickelodeon e Comedy Central — e revelou que a ideia de que a TV estaria sendo substituída por outros meios não poderia estar mais errada. Mais do que isso, ela mostrou que a disponibilidade de outros dispositivos e formatos apenas fortaleceu a presença da televisão, mesmo que de maneiras diferentes do que tínhamos há algum tempo.

A principal mudança nesse sentido é a forma como a comunicação se desenvolve. Até então, ela era uma via de mão única, mas a chegada de smartphones, tablets e de toda a variedade de outros dispositivos que temos fez com que tudo se tornasse muito mais interativo. Basta pensar nos programas que você vê e lembrar quantos deles têm algum tipo de participação do espectador.

Prova disso é que o engajamento do público com o conteúdo que é visto aumentou consideravelmente. De acordo com a pesquisa, quanto maior o número de dispositivos nos quais a pessoa pode acessar esse tipo de conteúdo, maior é seu interesse por aquilo. No Brasil, por exemplo, 78% dos 750 entrevistados têm a TV como um dos assuntos mais comentados em suas conversas. No mundo, esse percentual é de 72%

Esse índice continua alto porque, apesar da televisão estar constantemente concorrendo com computadores, tablets e smartphones, a verdade é que todos esses dispositivos são tipos diferentes de veículos nos quais a pessoa vai procurar conteúdo. Não é à toa que a Netflix vem ganhando tanta força nos últimos anos, uma vez que ela oferece a mesma experiência da TV, mas dentro daquilo que seu público procura.

E um dos pontos destacados pela TV Re[Definied] foi exatamente esse. Segundo o resultado obtido pela Viacom, a conexão entre o espectador e o meio se dá principalmente por uma biblioteca com conteúdo relevante. Assim, a briga entre a televisão e a internet não está no fato de uma ser ou não mais interessante que a outra, mas em como cada uma delas oferece algo que conquiste o interesse do indivíduo.

Só que esse engajamento ainda vai além de simplesmente garantir a fidelidade de uma pessoa. O estudo mostrou que a habilidade de fazer as pessoas conversarem sobre determinado programa é um dos principais meios de descoberta de novos conteúdos. Sabe quando está todo mundo falando sobre Demolidor ou Game of Thrones no Twitter e você quer ir atrás para descobrir o porquê de tanto burburinho? Pois é exatamente isso que as emissoras querem.

Por outro lado, a TV linear — ou seja, aquele formato clássico que vimos durante toda nossa vida — ainda tem um papel muito importante dentro dessa questão da descoberta. A troca de canais é responsável pelo início da jornada do espectador em 69% dos adultos entrevistados e 76% das crianças de 6 a 12 anos. E parte disso porque ela funciona tanto de maneira ativa (o realmente assistir ao que é transmitido) e passiva, ou seja, só deixar o aparelho ligado enquanto você faz qualquer outra coisa até que algo conquiste seu interesse.

Ao todo, a pesquisa entrevistou 10.500 pessoas entre 6 e 34 anos em 14 países, incluindo Brasil, Alemanha, Rússia, Reino Unido e Itália.

Fonte: CanalTech

Consulta pública sobre Marco Civil da Internet é prorrogada

Banner_Portal_Prorrogacao_Marco_DP

Por Ministério da Justiça

O debate sobre a regulamentação do Marco Civil da Internet, previsto inicialmente para ser encerrado nessa terça-feira (31), foi prorrogado até dia 30 de abril. A decisão levou em conta o volume significativo de novas pautas criadas na última semana. Das quase 300 pautas criadas pelos usuários, mais da metade foi gerada nos últimos dois dias de março. Além disso, foi levado em consideração os pedidos dos participantes para a extensão do debate.

Balanço

O debate público teve início no dia 28 de janeiro e em dois meses, mais de 25 mil pessoas acessaram a plataforma gerando 120 mil visualizações de página. Através do endereço marcocivil.mj.gov.br, 1500 pessoas se cadastraram para participar do debate, que já conta com mais de 700 contribuições.

O tema que mais esquentou o debate girou em torno da neutralidade de rede, princípio que garante a isonomia dos pacotes de dados que trafegam nela. Vigente desde junho de 2014 no Brasil, as exceções à sua aplicação, ficaram para ser regulamentadas pelo decreto presidencial que está em debate. Outros pontos a serem regulamentados são a privacidade na internet e a guarda de registros.

Participação

O Marco Civil da Internet é consagrado por ter sido inovador no processo de construção com ampla participação popular. A regulamentação dessa importante lei da internet brasileira buscou seguir os mesmos moldes da criação do projeto de lei realizado em 2009.

Comparando os dois processos, Gabriel Sampaio, Secretário de Assuntos Legislativos do Ministério da Justiça, destacou:

“Estamos muito felizes com o engajamento da sociedade civil, academia e empresas no debate. É importante ver a participação da sociedade como um processo contínuo. Tanto isso é verdade que apenas nessa fase da regulamentação, já tivemos mais visitas à plataforma do que nas duas fases do debate público da lei em 2009.”