Seminário reflete sobre concentração, poder e hegenomia da Globo

Fechando a maratona de atos de descomemoração dos 50 anos da Rede Globo, o Centro de Estudos de Mídia Alternativa Barão de Itararé realizou, no dia 27 de abril, seminário “Rede Globo: 50 anos de poder e hegemonia”. O evento reuniu pesquisadores, estudantes e ativistas em torno a construção e consolidação do império Globo.

Dividido em dois momentos, o seminário debateu na parte da manhã a construção do império global que contou com a presença do professor César Bolaño (Observatório de Economia e Comunicação – OBSCOM), o professores da Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ Marcos Dantas e professora Suzy Santos.

A segunda parte do seminário versou sobre o papel dos telejornais, com foco na produção da informação e na manipulação escancarada. Esse debate foi conduzido pelo Luciano Martins Costa, editor do Observatório de Imprensa, e a jornalista Laura Capriglione, do Movimento “Jornalistas Livres” e site A Ponte.

Mercado oligopólico

Durante sua fala, Bolaño destacou que os impactos da Rede Globo no campo da cultura e seus reflexos no desenvolvimento do país. “Ao ser criada, a Globo rompe com o modelo concorrencial. Somente com a Globo é que observamos a institucionalização de um mercado oligopólico de TV. É com ela que a cultura brasileira é empacotada e transformada em mercadoria”, salientou.

Segundo ele, “a Rede Globo consolida uma visão de mundo, modelando gostos, empacotando a audiência, que é o seu real negócio. Ao enraizar seu padrão de qualidade, ela [Rede Globo] realiza um movimento estratégico o qual barra a entrada de outros capitais no mercado”.

Comunicação, cultura e desenvolvimento

Na mesma linha, a pesquisadora Suzy Santos atualizou que hoje a Rede Globo se constitui como Grupo globo, que comporta a Rede, Fundação Roberto Marinho, espaços de representação (globo universidade, globo ciência, etc). Ao falar da relação da Rede com o campo político, Suzy Santos falou da posse ilegal de concessões por parte de políticos, o que denominou como “coronelismo eletrônico”.

Ela também falou da importância e desafio de se estudar a estruturação do mercado de televisão no Brasil. A ausência de informações sobre a concentração da mídia e de suas relações com o campo político dificulta o processo de construção do real impacto da rede no processo de desenvolvimento do país, especialmente, no processo de consolidação das noções de cultura e comunicação enquanto vetores do processo”.

Padrão alternativo, qual buscamos?

Ao avançar na reflexão, Marcos Dantas destacou a importância de, diante a concentração e poder da Rede Globo, pensar caminhos alternativos para enfrentar essa conjuntura. “Pensar alternativas precisamos refletir sobre uma série de questões centrais e complexas”. E destacou a contribuição do Relatório MacBride, que já ali propunha o desafio de universalizar a cultura, pensar a comunicação de um ponto de vista estrutural e sua influência com no desenvolvimento.

Dantas destaca que “numa sociedade capitalista, a apropriação dos bens se dá nos marcos do sistema vigente. Os meios de comunicação de forma geral servem ao capitalismo. Esse sistema de comunicação desde que foi criado, lá pelos idos dos anos 1920, tem como principal objetivo construir uma sociedade de consumo, de venda de mercadorias”.

E completou: “Como quebrar o padrão ideológico instituído pelos grandes players da mídia? Como fomentar o pensamento crítico no seio social?”, questionou o pesquisador ao aponta a complexidade de pensarmos alternativas ao sistema.

Fonte: Barão de Itararé

Barão lança livro que traça panorama da comunicação no Brasil

“Uma significativa contribuição à causa da democratização da comunicação no Brasil”. É assim que Dênis de Moraes (jornalista, pesquisador e professor do Departamento de Estudos Culturais e Mídia da Universidade Federal Fluminense), define, em prefácio, o livro Direitos Negados – Um retrato da luta pela democratização da comunicação, lançado pelo Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé e organizado por Renata Mielli.

São 17 reportagens, distribuídas em 186 páginas, abarcando diversos temas ligados à área de comunicação – Concessões Públicas de Radiodifusão, Rádios e TVs Comunitárias, Banda Larga, Software Livre, Direito de Resposta, Classificação Indicativa, Conselhos de Comunicação, Comunicação Pública, entre outros. Como anexo, a publicação traz o Projeto de Lei de Iniciativa Popular da Mídia Democrática. “O livro faz diagnósticos, mas também aponta caminhos, dá pistas de como resolver problemas em várias áreas da comunicação”, opina Altamiro Borges.

Para o presidente do Barão de Itararé, a qualidade do livro é que, além de ser muito atual e somar diversos assuntos, é um material de fácil acesso. “Os debates em torno da mídia, geralmente, são complexos e restritos a especialistas. O formato da reportagem, com entrevistas, aspas e dados, deixa ele bastante acessível”, avalia.

O movimento social brasileiro, na visão dele, avançou muito no debate sobre comunicação. “Além de terem seus próprios instrumentos midiáticos, o movimento sindical, assim como os estudantes, os camponeses que lutam por reforma agrária, as mulheres e os negros sempre tiveram ciência de que a mídia privada os sacaneava, mas estavam pouco envolvidos na luta para democratizar a comunicação”, diz. “Nos últimos anos, essa postura mudou”.

A publicação, segundo Borges, é uma munição poderosa para o ativista, militante e dirigente de movimentos populares: “O livro dá elementos em uma linguagem acessível e com amplitude de temas, para além da regulação da mídia. Ele municia o lutador social para essa batalha estratégica na sociedade brasileira”.

O prefácio, a cargo de Dênis de Moraes, corrobora a proposta do Barão de Itararé. “Trata-se de um vigoroso conjunto de artigos que expõe uma verdade já impossível de ser sufocada: a diversidade informativa e cultural submerge em um cenário distorcido pela concentração monopólica dos meios de difusão e pela prevalência de intentos lucrativos e conveniências políticas sobre as aspirações coletivas”, sublinha o pesquisador.

Um dos pontos altos de Direitos Negados – Um retrato da luta pela democratização da comunicação, segundo Moraes, é o seu compromisso crítico. “Os autores apontam, convincentemente, as danosas consequências sociais e culturais derivadas do anacrônico e elitista sistema comunicacional vigente. A começar pela frequente exclusão de múltiplas vozes nos noticiários e pelos enfoques tendenciosos que afetam a credibilidade dos veículos e atropelam princípios éticos”.

Por outro lado, acrescenta o estudioso, “cumpre realçar o ânimo propositivo presente na coletânea: não apenas reivindica das instâncias eleitas pela soberania popular ações direcionadas à superação de mazelas e desvios, como também lança luzes sobre alternativas emergentes que valorizam a livre manifestação do pensamento e alargam a consciência sobre o horizonte de transformações”.

O livro, nas palavras de Moraes, “projeta o tema [da comunicação] como prioridade na agenda social, política e legislativa, rompendo-se a cadeia de omissões e protelações que, infelizmente, se formou à sombra da inércia do poder público na matéria (…).

Fonte: Barão de Itararé

Estado e polícia são os maiores cerceadores da liberdade de expressão

 

No dia em que se comemorou o Dia Mundial da Liberdade da Imprensa, 3 de maio, a Artigo 19 lançou o relatório “Violações à Liberdade de Expressão – Relatório Anual 2014”, que apresenta os resultados de um processo de monitoramento e apuração das violações ocorridas no Brasil contra a liberdade de expressão durante o ano passado.

 Em declaração à imprensa, Júlia Lima, responsável pela pesquisa e integrante da Artigo 19 para o programa de Proteção da Liberdade de Expressão, falou sobre a importância da pesquisa para avançar na luta pela defesa e fortalecimento da liberdade de expressão no Brasil.

“Um material que agregue os dados relacionados às violações é importante para mostrar que esses crimes não ocorrem de maneira isolada, mas que sim representam violações sistemáticas com a intenção de impedir a discussão sobre alguns temas na nossa sociedade”, destacou.

Segundo ela, “ao analisarmos os aspectos comuns entre essas ocorrências, como os perfis dos supostos autores envolvidos, podemos abordar a questão de maneira mais aprofundada e cobrar do Estado não só a resolução dos casos incluídos no relatório, mas também a elaboração de políticas públicas preventivas e de proteção”.

Quem ataca a liberdade

Em boa parte dos casos relacionados a comunicadores, agentes públicos (como políticos e policiais) foram os responsáveis pelas violações. Nos casos envolvendo defensores de direitos humanos, os principais suspeitos de serem os autores das violações são fazendeiros e donos de terra.

De acordo com a pesquisa, foram registrados 55 casos de graves violações ligadas ao exercício da liberdade de expressão por comunicadores e defensores de direitos humanos. Dentre os crimes, casos de graves violações – homicídios, tentativas de assassinato, sequestros, ameaças de morte e de tortura – ocorridos contra dois grupos específicos de pessoas: comunicadores (jornalistas, radialistas, blogueiros, entre outros) e defensores de direitos humanos (lideranças rurais, quilombolas, sindicalistas, integrantes de associações, entre outros).

A pesquisa revela que, no total, foram registrados 55 casos de violação à liberdade de expressão em 2014, um aumento de 15% em relação a 2013, quando foram registrados 45 casos. Dos 55 casos, 15 foram homicídios, 11 foram tentativas de assassinatos, 28 foram ameaças de morte e 1 deles, tortura. Não foi registrado nenhum caso de sequestro.

Sudeste

Ainda segundo o estudo, o Sudeste foi a região com o maior número de casos registrados, 17. Em relação ao tipo de contexto em que ocorreram as violações, 32 casos foram registrados em cidades pequenas (com até 100.000 habitantes).

Na categoria comunicadores, a “denúncia” foi o principal motivo por trás das violações, tendo acontecido em 9 dos casos registrados. Já na categoria “defensores de direitos humanos”, a “promoção de mobilização” foi constatada como sendo o motivo de 16 violações.

Acesse a íntegra do relatório aqui.

 

FINDAC: Parceira entre MPF e sociedade civil amplia direito à comunicação

Findac levou o prêmio na categoria 'Constitucional e Infraconstitucional'Condecorado com o Prêmio República 2015, promovido pela Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR), o Fórum Interinstitucional pelo Direito à Comunicação (Findac) tem levado à Justiça, de forma eficaz, casos de violação das leis vigentes no campo da comunicação.

Segundo Elizabeth Mitiko Kobayashi, procuradora regional da República, a iniciativa reúne o conhecimento e o trabalho jurídico do Ministério Público Federal  e de instituições de pesquisa acadêmica com a atuação da sociedade civil – parceria que culminou na premiação ocorrida no dia 4 de maio, em Brasília.

A dinâmica do órgão é simples: as entidades da sociedade civil  levantam casos de irregularidade e os procuradores do MPF encaminham o procedimento jurídico cabível. O arrendamento da programação de um veículo de radiodifusão a uma igreja ou uma rádio comercial que atua fora da frequência que sua outorga permite são alguns exemplos, conforme explica Renata Mielli, secretária-geral do Barão de Itararé, uma das organizações que participam do processo.

“O Findac atua onde o Estado é omisso”, afirma a jornalista. “Há uma desproporção gigantesca no tratamento da lei quando se trata da radiodifusão comercial, justamente por conta do poder econômico”. Apesar da pressão que a sociedade civil faz para que o governo regule a comunicação, muitas vezes o que já está regulamentado é ignorado, ressalta Pedro Ekman, do Coletivo Intervozes. “Com o Findac, a sociedade civil tem um instrumento concreto para atuar em espaços nos quais o governo se ausenta”.

A disparidade entre o rigor adotado pelo Ministério das Comunicações e pela Anatel em relação à fiscalização das rádios comunitárias e de veículos comerciais também é lembrada por ele: “Radiodifusores comerciais cometem irregularidades diariamente, a olho nu, sem nenhum tipo de punição. Com a proatividade do MPF e as denúncias da sociedade civil, temos pressionado e obrigado a própria Anatel a cumprir seu papel fiscalizador”.

Para Karina Quintanilha, da Artigo 19, o Findac deve evitar que haja dois pesos e duas medidas em relação ao cumprimento da lei. “Por isso, é uma forma de potencializar e fortalecer o direito à comunicação”, acrescenta a advogada. “Apesar de atuante, a sociedade civil tinha dificuldade para tomar ações concretas. O Fórum abre um espaço muito interessante, que leva essa demanda para o campo institucional”.

Uma das autoras da iniciativa, Elizabeth Kobaiashi avalia que o principal ganho da sociedade brasileira é a eficiência dessa atuação conjunta. “A parceria surgiu quando a procuradora Inês Virgínia Soares Prado chamou entidades para conversar sobre alguns casos específicos e, então, teve-se a ideia de criar um fórum permanente”, relata.

Segundo a procuradora, há um estímulo, dentro do MPF, para que o Findac avance. O Prêmio República, inclusive, pode alavancar a visibilidade e o potencial do Fórum, comenta. Assim como ela, o procurador da República Jefferson Aparecido Dias assinala que o desafio, agora, é ampliar a atuação do Findac para todo o Brasil. Co-autor da iniciativa, ele celebra os resultados que o órgão vem obtendo, “de forma inovadora, com um mecanismo direto de participação da sociedade”.

Vale registrar que uma Ação Civil Pública levada a cabo recentemente pelo Findac condenou uma emissora pelo arrendamento total de sua programação a uma igreja, o que é ilegal [o Barão de Itararé abordou o tema emreportagem publicada no dia 11 de dezembro de 2014, presente no livro Direitos Negados – Um retrato da luta pela democratização da comunicação].

Inúmeras iniciativas vêm sendo movidas pelo estado de São Paulo e, gradualmente, em outros estados do país, o que justifica o entusiasmo dos procuradores e de entidades como o Barão de Itararé, o Intervozes e a Artigo 19. “No fim, ações e medidas judiciais fazem parte do nosso trabalho cotidiano e, por isso, conhecemos os detalhes e meandros dos procedimentos”, salienta Kobaiashi. O complemento trazido pela sociedade civi que, na visão da procuradora, tem conteúdo e uma visão mais ampla dos temas da comunicação, faz do Findac uma grande contribuição para uma mídia mais democrática.

Fonte: Barão de Itararé

Consulta pública é aberta para construção de Pontos de Mídia Livre

ponto_de_midia_livrePor MinC

Com o objetivo de expandir a participação social na formulação e implantação de políticas públicas de cultura, a Secretaria da Cidadania e da Diversidade Cultural do Ministério da Cultura (SCDC/MinC) vai realizar consulta pública para o edital Prêmio Pontos de Mídia Livre. A iniciativa beneficiará entidades e grupos de mídia livre, certificados como Pontos ou Pontões de Cultura, responsáveis por iniciativas de mídia livre. Interessados poderão mandar propostas entre 11 e 25 de maio.

A consulta pública será realizada segundo critérios da Política Nacional de Participação Social e prevê a publicação de um documento contendo objetivo, justificativa, público-alvo, categorias e valores dos prêmios, entre outros tópicos que sejam de relevância para apreciação e coleta de sugestões da sociedade.

A partir do próximo dia 11, o documento será disponibilizado em plataforma digital, dentro do portal culturadigital.br, e receberá contribuições durante 15 dias. Após o encerramento do prazo, todas as contribuições serão sistematizadas e o resultado será publicado até 1º de junho. A Secretaria assumirá o compromisso de responder todas as propostas recebidas.

“A possibilidade de cogestão das políticas públicas é o caminho a ser seguido”, destaca a secretária da Cidadania e da Diversidade Cultural do MinC, Ivana Bentes. “Estamos construindo diversos instrumentos de estímulo à participação social. A consulta pública é um deles e deve ser a mais ampla possível, para possibilitar que quem recebe essas políticas na ponta também participe do seu processo de criação e implementação”, ressalta.

Além da consulta virtual, a SCDC também realizará um debate aberto sobre o edital durante a programação do Encontro de Midialivrismo e Juventude, que será realizado nos dias 15 e 16 de maio, no Rio de Janeiro (RJ).

Pontos de Mídia Livre

O edital Pontos de Mídia Livre será uma ação de apoio e fomento para iniciativas de comunicação livre e compartilhada, não atreladas ao mercado. A proposta do edital integra a ação estruturante cultura, comunicação e mídia livre, prevista pela Lei Cultura Viva (Lei 13.018/2014), e visa reconhecer iniciativas nacionais, regionais, estaduais e locais realizadas por entidades, grupos e coletivos que tenham ou não personalidade jurídica (CNPJ), promovendo a revitalização de uma Rede Nacional de Pontos de Mídia Livre pelo País.

Foram realizados dois editais de premiação para o campo da mídia livre, em 2009 e 2010, totalizando investimentos de aproximadamente R$ 9 milhões, destinados em forma de prêmios para 154 Pontos de Cultura e instituições privadas sem fins lucrativos, contemplando um amplo espectro de suportes de comunicação (audiovisual, impresso, multimídia, rádio e web) distribuídos pelas cinco regiões brasileiras.

Chamada para dossiê “Tecnopolíticas e Vigilância”

ecoposEstão abertas as chamadas de trabalhos para os dossiês “Tecnopolíticas e Vigilância” e “As Formas do Artifício” da Revista ECO-Pós. Os deadlines para as edições são: 22 de maio e 7 de agosto, respectivamente.

A Revista ECO-Pós (Quaslis B1 – CSA1) é publicada pelo Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (ECO/UFRJ) e aceita textos para as seções Dossiê e Perspectivas de doutores ou em coautoria com doutores. Essa exigência não se aplica a Resenha. A seção Perspectivas recebe artigos em fluxo contínuo. Mais informações no site da Revista: http://revistas.ufrj.br/index.php/eco_pos

18.2 – Tecnopolíticas e Vigilância

A presença cada vez mais intensa de tecnologias de vigilância no cotidiano das grandes cidades vem sendo acompanhada por um amplo espectro de movimentos sociais e um crescente interesse por debates públicos, seja por meio de pesquisas acadêmicas, seja através de discussões sobre novas legislações. A edição 18.2 da Revista ECO-Pós contemplará contribuições interessadas em analisar as relações entre vigilância, tecnologia e sociedade, privilegiando os seguintes eixos temáticos: história e futuro da vigilância e do controle social; vigilância, imperialismo e capital global; vigilância, protestos políticos e movimentos sociais; vigilância e tecnopolítica: conceitos, metodologias e estudos de caso; mídias sociais e espaços urbanos; Big Data, vigilância e tecnopolítica; Smart Cities e sistemas de segurança integrados; Web, Deep Web e Internet das Coisas; ativismo e contra-vigilância; práticas artísticas e estéticas da vigilância; vigilância móvel e wearable; Snowden, NSA e vigilância de massa; a questão da privacidade, dados pessoais e controle da informação; vigilância e práticas de consumo; tecnologias de auto-monitoramento e controle; legislação e regulação da vigilância e proteção de dados.

Editora convidada: Fernanda Bruno (ECO-UFRJ)

Prazo de submissão: 22 de maio. 

18.3 – As Formas do Artifício

O artifício é uma categoria conceitual, analítica, sociohistórica e estética, que, assumindo diversas formas, articulando diferentes saberes e produtos culturais e atuando na mediação entre estes e a vida material, vem ganhando um destaque cada vez maior nos campos das artes e da comunicação. A edição 18.3 da Revista ECO-Pós contemplará contribuições interessadas em estudar as diversas formas do artifício, privilegiando aquelas que abordarem os seguintes eixos: o artifício nas artes; estilização, formalismo e artifício; artifício e melancolia; artifício, realismo e o Real; estéticas, poéticas e políticas do artifício e do frívolo; o  lugar do entretenimento e do conceito de sensibilidade na teoria da cultura contemporânea; as hierarquias entre cultura erudita, cultura popular e cultura massiva; a cultura midiática e de consumo; afetação, teatralidade e performance na constituição de personagens, práticas e identidades; a crítica pop; o universo sensível do pop; a noção de nostalgia e a sensibilidade nostálgica; o camp, o kitsch, o trash e o brega; o clichê; a questão da ironia como um signo de resistência,  o supérfluo na comunicação do político, a cibercinefilia e o cosmopolitismo midiático.

Editor convidado: Denílson Lopes (ECO-UFRJ).

Prazo de submissão: 7 de agosto.

Chamada de trabalhos sobre o audiovisual latino-americano

significação

A Significação: Revista de Cultura Audiovisual, do Programa de Pós-Graduação em Meios e Processos Audiovisuais da USP, abre a chamada para as contribuições de doutores e de doutorandos a serem publicadas em sua segunda edição de 2015. Para compor o dossiê temático, coordenado por Reinaldo Cardenuto Filho e Marcelo Prioste, a publicação convida os pesquisadores que estão desenvolvendo estudos sobre o audiovisual latino-americano do presente e do passado, nas mais diversas experiências estéticas e formatos (cinema, vídeo e televisão). Com enfoque interdisciplinar e aberto a perspectivas teóricas múltiplas, o dossiê tem por objetivo construir um panorama das atuais pesquisas realizadas em torno do assunto, incluindo os estudos acerca do audiovisual brasileiro.

Além do dossiê, a revista publica em sistema de fluxo contínuo artigos dedicados ao estudo do cinema, do vídeo, da televisão, do rádio e das novas mídias, pensando-os como um sistema diversificado de práticas e ideias que envolvem os seus processos específicos de reflexão, criação, produção e difusão. A partir de diferentes perspectivas teóricas, examina uma variedade de objetos audiovisuais com ênfase na sua constituição e existência empírica, ocupando-se das articulações poéticas, dos significados semióticos, das expressões estéticas, da crítica e da análise histórica. Também são bem-vindas as resenhas de publicações recentes da área, resenhas que podem ser submetidas por mestrandos.

Os prazos para envio das colaborações para o presente dossiê encerra-se no dia 31 de agosto de 2015.

As normas de publicação do periódico, assim como detalhes sobre o processo de avaliação dos textos, podem ser lidos em http://www.revistas.usp.br/significacao/about/submissions#onlineSubmissions.

Chamada de trabalhos: Pobreza e Jornalismo

SURLE

A revista científica internacional “Sobre Jornalismo/ About Journalism / Sur le Journalism” está com chamada de trabalhos aberta para o dossiê “Pobreza e Jornalismo”. A edição será coordenada pelos professores: Viviane Resende, Laura Pardo e Greg Nielsen e o prazo para envio de propostas de artigo (resumos expandidos) se encerra dia 30 de junho de 2015.

EMENTA

A pobreza é um problema global grave, com consequências desastrosas sobre as vidas de milhões de pessoas no mundo. Entretanto, a cobertura do problema, incluindo a ação do que poderia ser classificado como instituições circundantes, tais como organizações não governamentais, intergovernamentais e internacionais, é distorcida, e suas dimensões são naturalizadas de várias formas em jornais, emissoras de televisão e outros veículos midiáticos […]. Mesmo reconhecendo que a mídia convencional discuta regularmente questões ligadas à pobreza – embora sem estabelecer relações causais entre as situações de pobreza e outras questões sociais mais amplas, ficando a representação restrita a uma lógica de aparências […] -, há a questão de que raramente se dirige aos grupos sociais a que se refere. Em outras palavras, na maior parte das vezes jornalistas falam sobre quem vive em situação de pobreza, mas do ponto de vista de quem não experimenta a pobreza e dirigindo-se a quem tampouco experimenta a pobreza. Disso não resultaria que a compreensão pública das situações de exclusão torna-se limitada, mesmo quando a mídia parece clamar por soluções, supostamente em nome da democracia? A cobertura jornalística sobre a pobreza não estaria contribuindo para silenciar um grupo de atores sociais – curiosamente aqueles que são diretamente afetados pelo problema – e que se encontram excluídos tanto da representação midiática, como do acesso ao debate público sobre esse tema?

Por um lado, a história e a crítica da economia política das organizações midiáticas na cobertura da pobreza ainda precisam ser escritas. Por outro lado, não se podem ignorar iniciativas transformadoras, no campo do jornalismo, que buscam incluir os atores e grupos representados também como audiência. O jornalismo cumpre um papel político importante quando ‘molda’ as notícias sobre a pobreza. Se é verdade que o jornalismo hegemônico tem limitado seu engajamento com a superação da pobreza ao enquadramento pelo viés da caridade, o que pode ser e de fato tem sido questionado, também é verdade que esse mesmo jornalismo tem focalizado muito pouco os problemas relativos à falta de acesso de parcelas significativas das populações a recursos materiais e simbólicos, e que tem estabelecido questionáveis relações entre pobreza e violência. Essa abordagem do tema frequentemente evita a investigação crítica. Mas é verdade também que o jornalismo alternativo – como nos street papers, na mídia comunitária, no jornalismo cidadão, na mídia social, bem como em sistemas públicos de televisão – tem estabelecido outras formas de relação entre jornalismo e pobreza. Várias formas de jornalismo de defesa civil têm estabelecido relações políticas diferentes quando se trata de se dirigir a atores e grupos sociais em situações de pobreza, por exemplo noticiando fatos em que grupos sociais em posições subalternas assumem posturas protagonistas na transformação de suas situações.

Esse número monográfico de Sobre Jornalismo convida autoras e autores e enviarem contribuições que busquem discutir a complexa combinação de forças que atuam na definição de uma ‘boa’ prática jornalística no tangente a esse corte temático, em abordagens que reconheçam a diversidade e as tensões das estruturas sociais e organizacionais e das práticas discursivas. Consistência editorial, atitudes jornalísticas, níveis de verificação requeridos, culturas profissionais diferem radicalmente entre mídias, mas ainda mais entre regiões do globo, o que traz uma grande diversidade às possíveis abordagens das relações entre jornalismo e pobreza. Onde quer que jornalistas levantem questões sobre pobreza, como os grupos sociais empobrecidos e as pessoas em situação de pobreza são representados e classificados? São representados como números e dados estatísticos? Como textos jornalísticos especulam sobre possíveis soluções para a pobreza? Como pessoas em situações de pobreza são imageticamente representadas? Ou, por que as imagens das pessoas mais pobres são tão apelativas no jornalismo?

No escopo deste dossiê, muitas questões são pertinentes:
– Em que escala devemos situar a cobertura da pobreza, em termos geopolíticos? Localmente? Nacionalmente? Em um eixo Norte-Sul? Globalmente?

– Como textos jornalísticos representam, nomeiam, classificam as variadas situações de pobreza? Que significados diferentes tipos de jornalismo atribuem à pobreza? Que efeitos potenciais podem ser associados a esses significados?

– Pessoas em situações de pobreza encontram espaço para a enunciação de suas vozes em textos jornalísticos? Como essas vozes se representam na mídia hegemônica e/ou na mídia alternativa (street papers, mídia comunitária, jornalismo de defesa civil etc.)?

– Grupos em situações de pobreza são representados em papéis ativos ou passivos? Suas vozes são representadas? De que modos?

– Quais são os atores sociais envolvidos na cobertura jornalística da pobreza? Como sua participação é negociada no campo? Quais são os papéis representados por atores sociais externos ao campo do jornalismo (governos, ONGs, acadêmicos, organizações intergovernamentais e internacionais etc.)? 

– Quais são as audiências às quais os textos jornalísticos se dirigem? Há lacunas entre atores e grupos sociais representados e as audiências em potencial?

SUBMISSÃO

Solicita-se confirmar o interesse de participar do dossiê até o dia 30 de junho de 2015 por meio do envio de um texto de duas páginas aos coordenadores do dossiê: viviane.melo.resende@gmail.com; pardo.linguistica@gmail.com; gregmarcnielsen@hotmail.com.

Os textos podem ser redigidos em português, inglês,francês ou espanhol. Os artigos, de 30 a 50 mil caracteres (com espaço), devem ser encaminhados até o dia 30 de novembro aos coordenadores do dossiê.

Sobre jornalismo é um periódico internacional peer-reviewed, de acesso livre, com versões eletrônica e impressa. A revista, editada desde 2012, publica dossiês temáticos e artigos livres. Ela aceita proposições em inglês, francês, português e espanhol.

Chamada para artigos sobre os “65 anos da Televisão no Brasil”

sessõesdoimaginário

A Revista Sessões do Imaginário (Qualis B1) está com as submissões abertas para as suas edições deste ano. O primeiro número contará com artigos e resenhas propostos de maneira livre. Já o segundo número será dedicado ao Dossiê “65 anos da Televisão no Brasil”.

A primeira edição estará online no final deste semestre. Para o segundo número, dedicado ao Dossiê “65 anos da Televisão no Brasil”, serão aceitos artigos que tratem do impacto social; das questões políticas e econômicas; dos desafios da produção de conteúdo, das questões relacionadas a recepção e audiência; dos desafios da implantação da televisão digital e da convergência no nosso país; e ainda do diálogo entre a TV e as novas plataformas. Também serão aceitos trabalhos que façam o resgate histórico deste meio ao longo dos anos tanto em nível regional quanto nacional.

A revista Sessões do Imaginário – Cinema | Cibercultura | Tecnologias da Imagem é uma publicação do Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social (PUCRS) criada em 1996 com objetivo de divulgar artigos, ensaios, entrevistas e resenhas sobre comunicação e a cultura contemporânea. São trabalhos de professores, pesquisadores e discentes de pós-graduação que se interessam pelos estudos do imaginário social e das tecnologias de comunicação. Avaliação do Qualis CAPES – 2012 Área Ciências Sociais Aplicadas – Comunicação Classificação – B1.

Conheça as normas da revista em: http://revistaseletronicas.pucrs.br/fo/ojs/index.php/famecos .

Chamada de trabalhos sobre Mídia e Cidade

mídiaecot

Está aberta a chamada para a sexta edição da Revista Mídia e Cotidiano.  Esta edição recebe textos para o dossiê temático Mídia e Cidade até dia 30 de maio, além de artigos para a sessão livre. A publicação está prevista para o dia 15 de julho.

O dossiê tem como recorte a abordagem de temáticas a respeito da afirmação do Direito à Cidade, relacionadas a aspectos sociais, culturais, políticos e econômicos. O impacto do processo de urbanização e do modelo de desenvolvimento a partir da realização dos megaeventos esportivos no Rio de Janeiro e Brasil, na sua interface com os discursos midiáticos, bem como os processos vividos intensamente pelas populações urbanas a partir das manifestações ocorridas nas grandes cidades desde 2013, são objeto de reflexão desta edição. O dossiê visa, assim, dar a sua contribuição para esse importante debate na sociedade.

A Revista Eletrônica do Programa de Pós-Graduação em Mídia e Cotidiano (Qualis B4 – CSA1), da Universidade Federal Fluminense, é uma publicação quadrimestral, acessível em meio eletrônico, veiculando papers elaborados por pesquisadores da área de Comunicação e afins.

Editada pelo Programa de Pós-Graduação em Mídia e Cotidiano – PPGMC, do Departamento de Comunicação Social da Universidade Federal Fluminense (UFF / IACS – Instituto de Artes e Comunicação Social), a revista consiste em mais um espaço para discussão e divulgação de trabalhos científicos elaborados por doutores, mestres e alunos de pós-graduação, fomentando a produção cultural, o debate e o diálogo entre as comunidades acadêmicas.

A submissão dos trabalhos e as normas estão presentes no site da revista: http://www.ppgmidiaecotidiano.uff.br/ojs/index.php/Midecot