Ulepicc-Brasil transmite mesa virtual para discutir articulação de Grupos de Trabalho em EPC

A Ulepicc-Brasil (capítulo Brasil da União Latina de Economia Política da Informação, da Comunicação e da Cultura) transmitirá, na próxima quarta-feira (5), às 15h, a mesa virtual “A importância da articulação dos grupos de Economia Política em associações científicas”.

O objetivo do evento é realizar atividades em conjunto que envolvam pesquisadoras e pesquisadores de diferentes espaços de pesquisa latino-americanos como os Grupos de Trabalho em Economia Política da Comunicação, Cultura e Informação da Alaic (Associação Latino-Americana de Investigadores da Comunicação), Intercom (Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação) e Ancib (Associação de Pesquisa e Pós-graduação em Ciência da Informação).

A live será transmitida no canal da Ulepicc-Brasil no Youtube (Ulepicc-Br Brasil), com mediação de Rodrigo Moreno Marques (diretor científico da Ulepicc-Brasil e atual coordenador do grupo de Política e Economia da Informação da Ancib), e contará com pessoas que criaram, coordenaram ou coordenam alguns desses espaços. Entre esses pesquisadores e pesquisadoras estão:

– Anita Simis (ex-coordenadora do grupo de pesquisa EPICC da Intercom e ex-presidenta da Ulepicc-Brasil);

– César Bolaño (ex-presidente da Ulepicc e da Ulepicc-Brasil, ex-coordenador do grupo de trabalho em EPICC da Intercom, atual coordenador do grupo de EPICC da Clacso)

– Daniela Monje (coordenadora do grupo de EPICC da Clacso e vice-coordenadora do grupo de EPC da Alaic);

– Ruy Sardinha Lopes (ex-presidente da Ulepicc-Brasil, ex-coordenador do grupo de EPICC da Intercom e ex-vice-coordenador do GT de EPC da Alaic).

– Arthur Bezerra (vice-coordenador do grupo de trabalho Política e Economia da Informação da Ancib).

Os grupos de trabalho da Alaic e da Intercom foram fundamentais para a constituição de um subcampo estruturado da Economia Política da Informação, da Comunicação e da Cultura (EPC) na América Latina, ao possibilitarem, a partir de 1992, encontros periódicos entre quem pesquisava os efeitos político-econômicos sobre a comunicação, a cultura e a informação.

De lá para cá, essa articulação gerou grupos em outros espaços, ainda que alguns de forma temporária ou em diálogo com a EPC, em associações como: Compós (Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação), Clacso (Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais) e Ancib. Além da criação de entidades específicas, caso da Ulepicc-Brasil (capítulo Brasil da União Latina de Economia Política da Informação, da Comunicação e da Cultura).

Lançamento de livros

Dentre as próximas atividades entre os grupos e a Ulepicc-Brasil está a realização de lives para o lançamento de livros publicados em 2021 e que tenham como base a EPC ou um diálogo claro com ela, desde que com autoria de pesquisadoras/es da América Latina que componham algum dos coletivos ou a entidade brasileira.

Para se indicar para lançamentos, entre em contato por ulepicc.br@gmail.com.

Revista Eptic e Grupo de EPICC da Clacso abrem chamada para o Dossiê Geopolítica das Comunicações

A Revista Eptic, em colaboração com o Grupo de Trabalho sobre Economia Política da Informação, Comunicação e Cultura da CLACSO, está recebendo, até o dia 30 de abril de 2021, colaborações para o Dossiê Temático “Geopolítica das Comunicações”. O periódico é produzido pelo Observatório de Economia e Comunicação (OBSCOM) da Universidade Federal de Sergipe (UFS)

O Dossiê é coordenado pelas professoras Alina Fernández (Centro de Estudios Avanzados, Universidad Nacional de Córdoba – Argentina), Alvaro Terán (Facultad Latinoamericana de Ciencias Sociales – Ecuador), Florencia Guzmán (Centro de Estudios Avanzados, Universidad Nacional de Córdoba – Argentina) e Helena Martins (Universidade Federal do Ceará – Brasil), e será publicado na edição Maio-Agosto 2021 da Eptic.

De acordo com a chamada para trabalho da revista, “o tema escolhido é estrategicamente relevante, na medida em que a geopolítica das comunicações desenha um mapa do poder que ultrapassa o tradicionalmente atribuído aos Estados-nação, e se expande com novas lógicas de governança e formas de intercâmbio em múltiplas frentes, incluindo economia, regulações, trabalho e intercâmbios simbólicos”.

Esperam-se contribuições sobre:

-Transformações nos sistemas nacionais de comunicação, culturais e econômicos a partir das mudanças globais no capitalismo;

-Relações entre imperialismo tecnológico e desigualdades (territorial, de gênero, raça, acesso à informação, etc.);

-Os atores periféricos da indústria da infocomunicacional (cooperativa, comunitária, popular ou alternativa) e a disputa hegemônica pelo poder em cenários regionais e globais;

-Novas relações entre estados, sistemas de comunicação social e grandes plataformas digitais;

-Políticas nacionais e regionais de comunicação: situação atual e principais desafios;

– O direito à comunicação e as exigências dos cidadãos no cenário da infocomunicação global.

Os interessados em submeter artigos para a revista devem seguir as diretrizes para autores do periódico e se registrarem na plataforma OJS da revista.

Por uma (crítica da) Economia Política…

Verlane Aragão Santos1

Há uma questão, exposta no debate acadêmico e público no subcampo da Economia Política da Informação, da Comunicação e da Cultura (EPC), que tem promovido desacordos e falta de entendimentos comuns: o que significa a expressão Economia Política, distinguindo assim a análise desenvolvida a partir de um conjunto de pesquisadoras e pesquisadores, autodeclarada como crítica em relação ao pensamento comunicacional vigente? Decerto o desenvolvimento da EPC fora2 e dentro do Brasil3 tem se traduzido num quadro bastante heterogêneo, considerando as origens, formação e campos de atuação. Poderemos a partir daí observar diferentes áreas de conhecimento, e consequentemente aportes epistemológicos e metodológicos, porém a ideia de uma economia política, como de uma crítica da economia política, atende a um percurso próprio que precisa ser recuperado e problematizado.

A expressão Economia Política conforma na tradição da ciência econômica, onde é constituída, um conjunto ampliado de autores e perspectivas que vai de  Antoine de Montchrestien, quando em sua obra de 1615, “Tratado de Economia Política”, enuncia primeiramente a expressão, passando por Adam Smith e David Ricardo, proeminentes economistas políticos ingleses, pelo próprio Marx, chegando a Alfred Marshall e Willian Jevons, economistas neoclássicos do final do século XIX. Importante salientar que ao denominar a jovem ciência, a partir da “Riqueza das Nações”, de 1776 de Smith, e definir a preocupação com a riqueza material, a noção de economia política, correspondente a cada uma das obras referidas e das abordagens próprias dentro da ciência econômica, compõe uma dada e particular concepção.

Tomando como referência a obra de Smith, partamos de sua base ontológica. O “homem econômico” é este ethos que caracterizará o comportamento de todos os agentes econômicos (independente de classe, gênero e raça) no interior das relações mercantis. Individualistas, racionais, maximizadores de interesse. Parafraseando Smith (1996), ao buscar o próprio interesse, o lucro, o indivíduo [leia-se o capitalista] cria riqueza para toda a sociedade. Os vícios privados convertem-se em benefícios públicos, para lembrar a “Fábula das Abelhas” de Mandeville. Os filósofos éticos do século XVIII, assim, propunham o casamento entre os “sentimentos morais” e a riqueza material, dispensando os homens do Velho Mundo de terem que responder pelo pecado da usura, questionável nos padrões da moral deontológica escolástica, a ser superada pelo projeto de modernidade em construção.

A obra de Marx propõe novas preocupações, redesenhando os objetos da nova ciência propostos por Smith e seus contemporâneos. O que Marx realizará, primeiro na “Contribuição à Crítica da Economia Política”, de 1859, e depois em “O Capital”, de 1867, é incorporar a sistematização da atividade econômica já realizada, entre produção, distribuição e consumo da riqueza social, afirmando a não dissociação entre essas etapas; e a partir do empirismo de Smith e o método dedutivo de Ricardo propor um método alternativo, o denominado materialismo histórico e dialético, absorvido a partir das contribuições da filosofia alemã, especialmente de Hegel e Feuerbach. Neste ponto, transfigura a economia política de sua época, ou seja, a partir de sua crítica, apontando que o objeto privilegiado da ciência econômica seriam as relações sociais de produção, relações de exploração, ou seja, relações de poder, fundadas na propriedade privada (tem-se aqui a terceira fonte do pensamento de Marx, segundo Lênin (1913), o socialismo francês), na forma de trabalho assalariado, entendidas a partir da totalidade social, de sua constituição no tempo e no espaço – caráter histórico – e de suas contradições (LEFEBVRE, 1975).

O sentido de totalidade não deixava escapar a Marx as dimensões constitutivas das manifestações humanas; seus aspectos objetivos e subjetivos; da organização econômica à sistematização e aplicação das leis. Incorporou fatores extra-econômicos na sua análise, quando apontou o papel da violência imposta na defesa da propriedade e no processo de expropriação na fase inicial da acumulação capitalista ou mesmo quando trata da regulação dos salários. Como insiste Isaak Rubin, Marx introduz a sociologia na análise econômica. Suas categorias são extraídas da própria realidade. A classe trabalhadora, por conseguinte, e diferentemente da concepção liberal, deve ser observada em sua configuração concreta.

Isso não provinha de uma concepção ideal inicial, pois Marx não era um idealista, mas da apreensão da realidade posta, de suas complexidades, de suas diversas dimensões, no contexto de desenvolvimento da divisão social do trabalho, intensificado no âmbito do capitalismo. Marx ao definir o caráter social e coletivo do processo de criação da riqueza e apontar a contradição expressa na apropriação privada dessa mesma riqueza, requalifica o termo economia política. Não é gratuito o fato de que a despeito das obras dos neoclássicos ainda trazerem a expressão Economia Política, a teoria econômica hegemônica dispensará a qualificação política e adotará somente Economia para designar a ciência da riqueza.

Nesses termos, é comum observar na atualidade o uso da expressão Economia Política para abarcar, no sentido mais amplo, o conjunto da produção intelectual e acadêmica de caráter heterodoxo, ou seja, em oposição ao pensamento ortodoxo, liberal, como no sentido mais restrito referindo-se ao pensamento marxiano. Se quisermos ser mais precisos, podemos lançar mão da própria expressão enunciada por Marx, já que o que ele propunha fazer e fez foi uma crítica da economia política, apropriação do pensamento econômico de seu tempo, realizando a derivação das categorias burguesas e fazendo a crítica, como ocorre com a teoria do valor trabalho de Smith e Ricardo, permitindo incorporá-la como base para a sua teoria da mais-valia e ao observar a não validade dos pressupostos e suas implicações na obra desses autores, ao mesmo tempo apontar que se traduziam, segundo ele próprio, na legitimação do capitalismo, identificando assim o caráter ideológico da ciência econômica.

Com o acima posto, gostaria para finalizar essas anotações fazer duas observações. Primeiro: espero que já tenha deixado exposto e argumentado que “economia política” não corresponde à expressão “economia e política”, onde os termos aparecem em complementariedade. Não é uma análise econômica da política, tão pouco uma análise política da economia. A economia política pressupõe a incorporação de um método próprio e de categorias conceituais que nas pesquisas devem ser postos à prova resguardando, como já observado, a busca de contemplar a complexidade dos fenômenos sociais.

A segunda observação, que é muito cara às/aos marxistas que buscam garantir o rigor conceitual e metodológico, a partir de Marx, é a crítica lançada por fontes de todo tipo aos estudos marxistas, de que estes recaem no economicismo. Bem, há duas frentes de ataque já historicamente conhecidas e consagradas. A primeira que com pertinência pode ser feita em relação ao chamado marxismo vulgar, que usualmente apresenta uma análise materialista mecanicista, do tipo determinista causal direto. Inclusive é uma crítica endereçada ao marxismo pelo pensamento conservador4, e não só este obviamente, no intuito de desqualificá-lo, reduzindo-o ao que ele busca fugir. Há outra, que se baseia muito mais no desconhecimento de que economicismo é uma crítica realizada pelo próprio pensamento marxista e crítico em geral ao pensamento neoclássico, liberal, utilitarista, cuja referência básica é o pensamento dos economistas políticos burgueses do final do século XVIII e início do XIX, sem, contudo, apresentar a mesma sofisticação encontrada por Marx. E assim, voltamos a estes. Muito possivelmente para nos lembrar que o que propomos quando afirmamos trabalhar a partir da (crítica) da economia política é envidar todos os esforços para apreender a realidade, despi-la de toda névoa ideológica (inclusive no âmbito da ciência) e transformá-la na direção de uma outra sociedade, onde as opressões de toda ordem sejam superadas.

Notas

1 Professora do Departamento de Economia e dos Programas de Pós-Graduação em Economia (Mestrado Profissional) e em Comunicação da UFS. Doutora em Desenvolvimento Econômico pela UFPR. Vice-líder do grupo de pesquisa OBSCOM/CEPOS e recém-eleita Vice-presidente da ULEPICC-Brasil.

2 Em nível internacional, vide WASCO (2005).

3 No caso brasileiro, ampliado para a América Latina, vide AZEVEDO, SANTOS & MOTA (2016).

4 Um exemplo que expõe o ataque frontal do conservadorismo ao marxismo: https://www.integralismo.org.br/doutrina/o-economicismo-e-o-marxismo-difuso/. Acesso em 22/11/2020.

Referências:

AZEVEDO, Júlio; SANTOS, Anderson & MOTA, Joanne. (2016). “O avanço conceitual do subcampo da Economia Política da Informação, da Comunicação e da Cultura a partir da Revista EPTIC”. In.: Revista Comunicação Midiática. Vol. 11, n. 1, pp. 194-208. Disponível em: https://www2.faac.unesp.br/comunicacaomidiatica/index.php/CM/article/view/113.

LEFEBVRE, Henri. (1975). Lógica Formal e Lógica Dialética. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira.

LENINI, Vladimir. As Três Fontes e as Três partes Constitutivas do Marxismo. Disponível em: https://www.marxists.org/portugues/lenin/1913/03/tresfont.htm.

MARX, Karl. (1996). O Capital. Crítica da Economia Política. São Paulo: Nova Cultural.

_____. Contribuição para a Crítica da Economia Política. São Paulo: Edições Mandacaru.

SMITH, Adam. (1996). A Riqueza das Nações. Investigação sobre sua natureza e suas causas. São Paulo: Nova Cultural.

WASCO, Janet. (2005). “Studying the political economy of media and information”. In.: Comunicação e Sociedade. Vol. 7, pp. 25-48. Disponível em: https://revistacomsoc.pt/index.php/revistacomsoc/article/view/1345/1327.

Revista EPTIC recebe trabalhos para o dossiê “Economia Política da Desinformação”

A Revista Eptic está com chamada de artigos aberta até o dia 30 de outubro de 2020 para o Dossiê Temático “Economia Política da Desinformação”. O dossiê será coordenado pelos professores Marco Schneider (UFF e Ibict) e Jonas Valente (UnB).

Produzida pelo Observatório de Economia e Comunicação (OBSCOM) da Universidade Federal de Sergipe (UFS), a Revista Eptic também recebe artigos em fluxo contínuo para a seção “Artigos e ensaios”.

Segundo o Call for Papers do periódico, que pode ser acessado aqui, “o tema ganhou visibilidade tanto no ambiente acadêmico quanto no debate público a partir das denúncias de influência de conteúdos desinformativos em processos políticos, econômicos e sociais, em geral relacionada à estratégia de atuação contemporânea da extrema direita, em um contexto de convergência de crises do sistema capitalista”.

O dossiê temático, ainda segundo o Call for Paper, busca “fomentar a análise sobre a desinformação sob a ótica da EPICC. A partir da percepção das atividades relacionadas a esse campo como práticas materiais em sua relação dialética com o sistema capitalista, a análise da desinformação pode apreender as influências dos modelos de negócio e estratégias concorrenciais, das estruturas de mediação social, das assimetrias de poder, das relações de classes e forças políticas vinculadas a esse fenômeno e às estruturas onde ele se dissemina, em especial as plataformas digitais”.

São esperadas contribuições sobre:

– O papel das plataformas digitais, seus modelos de negócio e estratégias concorrenciais na desinformação

– A desinformação como negócio

– Desinformação e regimes de verdade

– O fenômeno da desinformação e estratégias contemporâneas de disputas políticas

– Desinformação e crise do capitalismo

– Economia política da anticiência: negacionismo do colapso ambiental e da saúde pública

Os interessados em submeter seus trabalhos ao dossiê devem fazê-lo a través do sistema OJS da revista e seguir as normas para autores, disponíveis aqui.

Em Formato Virtual, Congresso da Intercom 2020 tem inscrições abertas

Devido à pandemia de Covid-19, o 43º Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação (Intercom 2020) será realizado de 1º a 10 de dezembro em formato virtual. A Universidade Federal da Bahia (UFBA), que sediaria o encontro nacional deste ano, dará suporte institucional ao evento.

O Congresso da Intercom conta com um Grupo de Trabalho em Economia Política da Informação, Comunicação e Cultura, coordenado pelo Prof. Dr. Manoel Dourado (UEL)

Os interessados devem submeter seus trabalhos nos Grupos de Trabalho, Intercom Júnior e Expocom até o dia 12 de outubro de 2010. O calendário de inscrições e submissões pode ser acessado aqui.

Para escolher o Grupo de Trabalho ou evento que melhor acolherá seu trabalho, os interessados devem conferir a Chamada de Trabalhos do evento, que pode ser acessada aqui. Lembrando que os autores devem seguir as normas de submissão do evento disponíveis aqui.

Além dos espaços de apresentação de trabalhos, a organização do Congresso abriu chamada para a proposição de oficinas e minicursos

De acordo com organização do evento, “a realização virtual do congresso nacional em 2020 tem o intuito de manter a contribuição da Intercom para a constituição do campo científico na área de Ciências Sociais Aplicadas, em interface com diversos campos do conhecimento, inclusive pela natureza interdisciplinar inscrita em seus princípios constitutivos”.

O tema do Congresso da Intercom deste ano será “Um mundo e muitas vozes: da utopia à distopia?” No título, expressa-se a intenção primeira do evento: revisitar o Relatório MacBride quatro décadas após seu lançamento, em um ambiente de intensas mutações no universo comunicacional.

“Comunicação, Informação e Cultura”, segundo volume da Biblioteca Eptic, está disponível para download

O livro “Comunicação, Informação e Cultura”, organizado por Othon Jambeiro, César Bolaño e Valério Brittos, está disponível para download gratuito no Repositório Institucional da Universidade Federal da Bahia.

A Obra é o segundo volume da coleção Biblioteca Eptic. O livro conta com artigos de César Bolaño e Marcos Castañeda, Anita Simis, Othon Jambeiro, Valério Brittos e William Dias Braga, e pode ser baixado aqui.

A Biblioteca EPTIC – Biblioteca de Economia Política das Tecnologias da Informação e da Comunicação – constitui-se como um espaço de reflexão sobre o campo midiático, alinhado com metas de pluralidade e democracia, buscando somar colaborações às pesquisas de Programas de Pós-Graduação em Comunicação, assim como de Ciências Sociais, Economia, Ciências da Informação e Ciência Política, dentre outros.

Esta dinâmica, focada especialmente na Economia Política da Comunicação (EPC), objetiva participar do processo de construção de novas pontes comunicacionais mais públicas e pluralistas, sendo projetada como numa instância de fomento à comunidade acadêmica – e mesmo à sociedade civil – para refletir sobre a conexão capitalismo e indústrias culturais.

Trata-se de uma iniciativa vinculada à Rede de Economia Política das Tecnologias da Informação e da Comunicação (EPTIC), que desde 1999 vem aglutinando pesquisadores espalhados entre os diversos continentes em torno da discussão acadêmica, desenvolvimento de projetos e viabilização de lugares de socialização do debate. A EPTIC é ligada ao Observatório de Comunicação (OBSCOM), atual Obscom/Cepos, espaço criado em 1995.

Não criemos na EPC uma dicotomia entre pesquisas empíricas e teóricas!

Anderson Santos*

Com as atividades das Rodas de Leitura em EPC, promovidas pela Ulepicc-Brasil (capítulo Brasil da União Latina de Economia Política da Informação, da Comunicação e da Cultura), mas também com conversas em outros espaços de pesquisa, uma coisa vem me preocupando bastante, ainda que não seja algo novo: uma falsa dicotomia entre a pesquisa com maior base teórica e aquela mais empírica (ou que considera um histórico de atuação de bases populares).

Filiação teórico-metodológica

Apresento aqui este manifesto enquanto alguém cuja maior parte da produção acadêmica é a partir de análises empíricas. Estudo a apropriação midiática do futebol há quase 10 anos a partir de seus elementos concorrenciais e enquanto elemento cuja transmissão deveria ser considerada como de “interesse nacional”, logo com observação sobre as regulações sobre isso. O meu único livro tem como título “Os direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro de Futebol”. Mais empírico impossível!

Entretanto, há até mais tempo que isso, eu procurei me identificar como pesquisador do eixo teórico-metodológico da Economia Política da Informação, da Comunicação e da Cultura (EPC). Aprendi nas orientações do saudoso Valério Cruz Brittos que se nós não nos citamos, aprimorando os nossos conceitos, jamais a EPC, que ocupa a periferia na Comunicação, irá se desenvolver.

Assim, por exemplo, um conceito-chave para as minhas pesquisas sempre foi o de “barreiras político-institucionais”, adaptado por Brittos a partir de Bolaño (2000), que segue a linha heterodoxa da análise concorrencial de Possas (1987) – autor que enfrentou o desafio de construir uma perspectiva de estruturas de mercado a partir de uma visão marxista.

Como vinha de uma formação lendo mais Marx e Lukács que autores da Comunicação, fiz a escolha no Mestrado de focar a leitura na Economia Política da Comunicação (brasileira), pois estava num grupo de pesquisa que partia dela para fazer a análise dos mercados, empresas e programas da Indústria Cultural. O entendimento era simples: se estou filiado a tal escola, preciso dialogar com a sua construção teórica e seus conceitos. E assim seria se eu tivesse estudado a partir da Análise do Discurso de tradições francesas, da Análise de Sites de Redes Sociais ou dos Estudos de Jornalismo – que estudei e dialoguei em algum momento. Filiação de pesquisa requer conhecimento sobre o eixo escolhido e diálogo teórico-conceitual com o que se desenvolve.

Alguém pode me questionar sobre as necessidades que o objeto de pesquisa nos impõe, se isso não seria bloquear as possibilidades de análise. Respondo que normalmente divido o plano metodológico em duas partes: método, base teórico-metodológica que eu parto para o meu olhar; e procedimentos metodológicos, como eu vou pesquisa tal objeto (entrevistas, pesquisa de campo, outra revisão de literatura etc.).

Até eu começar a produzir sobre futebol, havia apenas dois artigos curtos de Bolaño (1999; 2003) que tratam de esportes, mas com foco na capoeira. Para a revisão de literatura sobre o futebol no Brasil eu precisei incluir, mas de forma crítica, autores de outras ciências e perspectivas de análise. Não tive problema quanto a isso.

Além disso, tenho alguns artigos em que tento demonstrar alguns conceitos maiores a partir do meu observável de estudo, que é algo popular e, assim, poderia ajudar na difusão da EPC. Além de trazer a questão das barreiras de mercado com frequência para analisar a disputa pelos direitos de transmissão de torneios esportivos, também produzi artigos sobre “os pontos da entrada de EPC” (SANTOS, 2014), a “fase da multiplicidade da oferta” (SANTOS; MARIA, 2014) e “mercadoria audiência” (A. SANTOS, I. SANTOS, 2018).

Com o aumento das exigências no doutorado, venho tentando me aprimorar no conhecimento teórico mais clássico, a partir de obras de autores como o já citado Possas (1987; 1989), Furtado (2008) e Marx (2011). Aqui entra outra questão, que é tentar me situar com maior cuidado enquanto pesquisador marxista da comunicação. Até este momento mantive a preocupação de evitar me identificar assim, apenas naquilo que eu realmente lia e trabalhava, que é ser pesquisador da EPC na perspectiva de alguns autores brasileiros.

Para as escolhas que eu fiz enquanto pesquisador para a filiação teórico-metodológica que atuo e defendo vejo esse movimento como essencial. Mas nada impede que outras pessoas não busquem, mesmo próximas à EPC, esses movimentos ou até mesmo a filiação a ela ao escrever monografia de TCC ou a dissertação. Porém, sendo agora ortodoxo quanto a isso, para ser pesquisador nesta área é necessário ler autoras – que tenho noção de que não citei aqui, o que levaria a outro texto sobre a área – e autores dela; e partir da EPC, e aí trazer outras teorias ou metodologias necessárias, para observar os objetos. Não vejo como negociar.

O empírico da militância

Entrando numa questão mais sensível e ciente que posso apanhar mais, ainda que a minha trajetória não envolva militância em coletivos sociais mais organizados ou partidos políticos, foram as escolhas político-ideológicas que me levaram à EPC, não de forma mais tradicional – ter um professor a apresentar a área e, assim, estudar os objetos infocomunicacionais a partir dessa perspectiva.

Para quem está na pós-graduação enquanto estudante já há o desafio de equilibrar as questões que apontei no tópico anterior com os prazos exigidos para qualificação e defesa, entre outras coisas. Contando com o contexto político do Brasil dos últimos anos, é ainda mais necessário manter a militância em seu respectivo coletivo ou partido. Até por isso, seria irresponsável da minha parte exigir algo neste tópico, não sendo alguém que se enquadra neste perfil, mas apenas sugerir.

Penso que nós podemos definir prioridades (ou ordem dessas) para atuação em diferentes espaços. É fundamental estabelecer limites para manter a saúde mental e não se sobrecarregar e, ao mesmo tempo, pouco para si mesma/o. Venho tentando deixar isso claro nos grupos/entidades que participo não só para externar os meus limites, mas também para ouvir os das outras pessoas. Mais que pesquisadoras e pesquisadores ou números de matrícula, somos seres humanos.

Assim, uma coisa que eu passei a pedir também é que as pessoas sejam transparentes quanto às prioridades e limites (temporários) de atuação. A situação está bem difícil mesmo, todas/os temos momentos muito ruins. Temos que construir uma cultura de atuação coletiva no âmbito acadêmico em que valha mais a pena participar da forma que pode e quando pode. Só que isso precisa ser externado.

A lealdade a se construir passa, ao menos para mim, bastante pela construção da confiança não só na hora de fazer, mas também nos momentos em que as outras pessoas sabem que naquele momento não é possível contar comigo. Assim, as atividades são melhor planejadas ou até adiadas, se for o caso.

Para soar mais forte quanto a isso, é preciso considerar que ainda que haja o conceito marxista de práxis, que considera a necessidade de “ação consciente” sobre a realidade, são várias ações possíveis em diferentes campos que, especialmente, funcionam de formas distintas.

Tenho clara noção que a minha atuação na “disputa epistemológica” não é suficiente para a transformação radical da sociedade que eu defendo – o que também daria outro texto; mas a militância per si não é suficiente para a disputa epistemológica que, ao adentrar na esfera da pesquisa – como discutido no tópico anterior – passa a ser importante considerar quando se é de um eixo de pesquisa periférico.

Chegando ao fim do texto

Longe de estabelecer conclusões, espero com este texto possa estimular possíveis respostas sobre as duas questões tratadas aqui – a Coluna CEPOS está aberta para isso. Enquanto presidente atual da Ulepicc-Brasil, vejo cada vez mais o quanto é muito importante ampliar as possibilidades de atuação coletiva. Entendo que isso só poderá ocorrer, e consequentemente, ampliar a nossa atuação, quando os nossos limites de participação e desafios para isso são postos à mesa.

*Professor da UFAL, doutorando em Comunicação na UnB, presidente da Ulepicc-Brasil e autor do livro “Os direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro de Futebol”.

Referências Bibliográficas

BOLAÑO, César. A capoeira e as artes marciais orientais. Candeeiro, Aracaju, v. 3, p. 51-56, out. 1999.

BOLAÑO, César Ricardo Siqueira. Esporte e Capoeira. Identidade Nacional e Globalização. Candeeiro, Aracaju, v. 9-10, p. 33-42, out. 2003.

BOLAÑO, César Ricardo Siqueira. Indústria Cultural, Informação e Capitalismo. São Paulo: Hucitec/Polis, 2000.

FURTADO, Celso. Criatividade e dependência na civilização industrial. São Paulo: Companhia das Letras, 2008 [1978].

MARX, Karl. O Capital: Crítica da Economia Política. Livro 1: O processo de produção do capital. Trad. Rubens Enderle. São Paulo: Boitempo, 2011. Edição do Kindle.

POSSAS, Mário Luiz. Dinâmica e concorrência capitalista: uma interpretação a partir de Marx. São Paulo: Hucitec, 1989.

POSSAS, Mário Luiz. Estruturas de mercado em oligopólio. 2.ed. São Paulo: Hucitec, 1987.

SANTOS, Anderson David Gomes dos. Os direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro de futebol. Curitiba: Appris, 2019.

SANTOS, Anderson David Gomes dos. Os três pontos de entrada da Economia Política no futebol. Rev. Bras. Ciências do Esporte, v. 36, n. 2, p. 561-575, abr./jun. 2014.

SANTOS, A. D. G.; SANTOS, I. S. da C. Debate teórico do conceito de mercadoria audiência a partir da apropriação do torcedor de futebol. In: SANTOS, Verlane Aragão; HERRAMILLO-HERRERA, Maurício. (Orgs.). Economia Política, Comunicação e Africanidades: XV Seminário OBSCOM/CEPOS. São Cristóvão: ULEPICC-BR/OBSCOM-CEPOS, 2018. p. 80-95.

SANTOS, Anderson David Gomes dos; MARIA, Dijair Brilhantes. A Fase da Multiplicidade da Oferta na Indústria Cultural e no futebol. Mediação, v. 16, n. 18, jan.-jun. 2014. p. 45-61.

Editora da UFBA disponibiliza gratuitamente obras de César Bolaño sobre Celso Furtado

A Editora da UFBA disponibiliza para download gratuito duas obras de César Bolaño (uma como autor e outra como organizador) envolvendo a temática da cultura a partir da teoria do desenvolvimento de César Furtado.

Celso Furtado é considerado um dos pais da Economia Política Brasileira e escreveu obras fundadoras do pensamento social brasileiro como “Formação Econômica do Brasil” e “Economia e Política do Desenvolvimento Econômico”.

As obras são “O Conceito de Cultura em Celso Furtado” – que pode ser encontrado aqui – em que Bolaño trabalha o conceito de cultura presente nas obras de Furtado, dando especial atenção ao conceito de criatividade do autor brasileiro, e “Cultura e Desenvolvimento: Reflexões à luz de Celso Furtado” livro organizado por César Bolaño com textos de vários autores e que está disponível aqui.

A Informação Livre na Internet e o Sleeping Giants

Guilherme Bernardi12

A semana de 17 a 22 de maio apresentou vários momentos para que pensemos as mídias sociais, a internet livre e como aparecem e se misturam as formas publicidade e propaganda, expostas por Bolaño (2000)3, na era da rede mundial de computadores e suas ferramentas digitais de informação e comunicação.

Em uma definição rápida, a forma funcional publicidade é aquela própria ao mercado e necessária para a circulação de mercadorias. Já a propaganda é própria ao Estado, necessária para a coesão e organização social.

Na segunda-feira (18), Felipe Neto, um dos maiores youtubers do país, esteve no centro do Roda Viva, da TV Cultura, um dos mais tradicionais programas da televisão brasileira. A entrevista rendeu discussões sobre os termos que ele usou (golpe, fascismo…), mas também sobre a influência da internet no debate público, os limites desse apoio e qual o papel de pessoas como ele na construção de oposição ao atual governo do Brasil em meio – principalmente, mas não só – a uma pandemia. Voltaremos ao assunto na sequência.

Antes disso, entretanto, no domingo (17), o El País Brasil publicou um texto no qual destaca a atuação do movimento Sleeping Giants nos Estados Unidos4. O movimento criado em novembro de 2016 (ano da eleição de Donald Trump), através de um perfil no Twitter (@slpng_giants), informa e alerta empresas, anexando prints, de que a publicidade de seus produtos está sendo anunciada em sites de extrema-direita. Com isso, as empresas podem entrar em contato com o contratado e fazer com que a publicidade nesse tipo de site/conteúdo seja retirada, desferindo um golpe no financiamento de produtores midiáticos que recebem muitos cliques a despeito ou por causa do conteúdo mentiroso ou sensacionalista que criam e propagam.

Três dias depois, na quarta-feira (20), o mesmo El País Brasil noticiou que um estudante que desenvolve pesquisas relacionadas a fake news criou um perfil brasileiro do movimento (@slpng_giants_pt)5. Em menos de uma semana, o perfil passou a mais de 200 mil seguidores e entrou em choque com o governo federal ao informar ao Banco do Brasil (BB) que havia publicidade sua no site Jornal da Cidade Online6. Em um primeiro momento, o BB retirou a publicidade do site, mas, após reclamações de membros do governo e de Carlos Bolsonaro, filho do presidente, a publicidade foi restaurada.7

Na mesma quarta-feira foi publicado o episódio número cinco do Jogando Dados, podcast sobre Economia Política da Comunicação (EPC) fruto da parceria Cubo/UEL e CEPCOM/UFAL, no qual a discussão partiu de uma pergunta simples: “A informação é livre na internet?”8 Para nós, membros do podcast, ela não é. Para justificar a resposta, abordamos algumas das questões que retomaremos a seguir, mas também outras mais, que não serão exposta aqui, mas estão no episódio de pouco mais de uma hora.

Há uma espécie de senso comum geral que acha que sim, que a internet é livre, mas é preciso de algumas formas de regulação (seja de conteúdo ou de mercado). Nesse sentido, no começo do mês, o Facebook anunciou um comitê de especialistas para regular postagens e conteúdos feitos no site de rede social.9 Há várias críticas possíveis de serem feitas, como a falta de transparência sobre o tipo de postagem que será excluída e quais os parâmetros para tal, afinal, postagens diversas já foram excluídas de forma aparentemente sem sentido (desde conteúdo relativo à pandemia até a histórica foto do soldado soviético com a bandeira da União Soviética no Reichtag, em 194510), mas também, como argumenta o professor Siva Vaidhyanathan, da Universidade da Virginia, sobre a composição do comitê, há a maioria de membros dos Estados Unidos e os próprios limites técnicos (número de postagens, linguagem delas etc.) no comitê11. Ele coloca ao final do artigo que o problema do Facebook não é a regulação de conteúdo e postagens que foram/são excluídas, mas o próprio Facebook. Esse argumento aparece já em seu livro sobre o site12.

Poderíamos argumentar mais além, que a estrutura da internet, privatizada e massificada na década de 1990, baseia-se na venda de publicidade (principal fonte de recursos de Google e Facebook, por exemplo) e no domínio de megacorporações, como as reunidas na sigla GAFAM (Google, Amazon, Facebook, Apple e Microsoft), que têm ações em bolsas de valores e são grandes grupos que lucram ainda com especulação e financeirização da economia.

Entretanto, além dessas nuances de interesses de corporações privadas e do capital financeiro não serem o foco principal, geralmente o debate fica muito superficialmente na regulação do conteúdo e no combate as assim chamadas fake news, que, como tratamos em outros episódios, especialmente o #113, existem como possibilidade e realidade desde muito antes.

Enfim, tudo isso para voltar no ponto de que as iniciativas como o movimento Sleeping Giants são bem interessantes e notificar empresas para que tirem seus anúncios de sites de fake news e de extrema-direita e afins são importantes em uma, digamos, disputa mais pontual, mas o grosso (esse sistema de financiamento e de “direcionamento” de publicidade) está lá ainda.

Na quinta-feira (21), o professor Marcelo Castañeda (UFRJ), em seu perfil no Twitter (@celocastaneda), apontou o problema do Google e do AdSense14, mas foi o professor Fabio Malini (UFES) quem desenvolveu e publicou, também em seu perfil no site (@fabiomalini), um fio sobre o coração do tipo de negócio dos propagandistas da extrema-direita. Segundo Malini, o movimento citado acima ataca a “franja” da micropropaganda, mas falta atacar o “núcleo duro” que é, para ele, o Google15.

Concordamos com Malini que o Google e o sistema do AdSense são um problema, assim como todo esse sistema baseado na forma publicidade (remuneração, recomendação de conteúdo ou parametrização de algoritmo para montagem de linhas do tempo), entretanto, discordamos não da necessidade, mas da possibilidade/efetividade de uma regulação do Google. Não se mostra possível dentro da lógica contemporânea do capital financeiro e do neoliberalismo uma regulação do tipo fordista, que vigorou nos países centrais no período pós-guerra.

Esse sistema baseado na lógica da publicidade, entretanto, já se espraiou para além do mercado e está misturada com a da propaganda. Por exemplo, as revistas acadêmicas são ranqueadas em relevância de acordo com um algoritmo do Google, mas também a própria ideia de importância de algum tipo de pesquisa ou desenvolvimento acadêmico está sendo pautada pela relevância/retorno à sociedade – isso, claro, baseado em visualizações, pessoas impactadas, divulgação etc.16 Ou seja, no lugar da discussão sobre métodos e formas de produção de conhecimento, estamos nos pautando por modelos de divulgação, de citação e quantidade de referências/pessoas alcançadas e afins. O que era da lógica do Estado organizar, agora está sendo pautado pelo mercado através da forma publicidade.

Para fechar a semana, na sexta-feira (22), o Supremo Tribunal Federal (STF) liberou a divulgação de uma reunião entre ministros e presidência da república17. Pouco há de provas18, mas esse tipo de informação é noticiada, repercutida, comentada, enfim, é circulada e pauta o debate “público”. A publicidade desse tipo de conteúdo pouco fragiliza o governo, mas serve e muito para reorganizar e garantir a coesão da base bolsonarista. Em outros termos, é a propaganda operando pela lógica da publicidade.

Voltemos então ao episódio do Felipe Neto para encerrar essa primeira abordagem do tema, que deverá ser desenvolvida posteriormente na sequência das pesquisas. Felipe Neto foi ao Roda Viva, defendeu pautas “progressistas” e virou alvo de uma série de discussões sobre sua mudança, que tipo de composição pode ser feita com gente como ele (arrependidos, influenciadores digitais…) e sobre o uso de termos como golpe e fascismo para falar de 2016 e do atual governo do Brasil. Tudo isso pode ser interessante de se discutir, mas não é o foco desse texto.

Mais relevante aqui é a discussão levantada a partir de postagem feita pela professora Suzy Santos (UFRJ) em sua página no Facebook19. Nela, Santos faz uma pergunta bem simples, mas que não foi feita ao entrevistado no programa: Por que Felipe Neto fala como progressista na televisão e no Twitter, mas não posta nada do tipo no YouTube, onde tem mais alcance e de onde recebe a maior parte de seus rendimentos? Essa mistura das formas publicidade e propaganda aparece como o convite para que Felipe Neto participe do programa e seja tido como relevante por causa de seu alcance e da repercussão que gera, ou seja, da publicidade, mas ele entra nesse espaço “público” e da discussão mais ligada à forma propaganda sem, entretanto, arriscar penalizar sua fonte de lucros (o YouTube), afinal, ele provavelmente entende muito mais de internet do que nós.

Entender, portanto, como o governo e o Estado estão atuando de acordo com o espraiamento da lógica do mercado através da forma publicidade ajuda a pensar em como travar um embate através dela (estratégias de monetização de conteúdo junto à denúncia de outros, formas mais adequadas de atuação nas redes sociais e no jornalismo etc.), mas, no final, é importante reiterar que o problema é da própria forma, logo, não é possível superar o problema sem a superação da forma social da comunicação e do próprio capitalismo.

1Esse artigo surgiu de um fio elaborado no Twitter e de conversas com os outros membros do podcast Jogando Dados (Anderson Santos, Gabriela Fernandes Silva, Manoel Dourado Bastos) durante e entre os episódios.

2É jornalista do Sindiprol/Aduel, mestrando do programa de pós-graduação em Comunicação da UEL e membro do podcast Jogando Dados.

3 BOLAÑO, César. Indústria cultural: informação e capitalismo. São Paulo. Pólis/Hucitec. 2000.

4QUEIMALIÑOS, Rebeca. O homem que arruinou a extrema-direita. El País Brasil, 17 maio 2020. Disponível em: <https://brasil.elpais.com/icon/2020-05-17/o-homem-que-arruinou-a-extrema-direita-nos-eua.html> Acesso em: 22 maio 2020.

5PIRES, Breiller. Movimento expõe empresas do Brasil que financiam, via anúncios, sites de extrema direita e notícias falsas. El País Brasil, 20 maio 2020. Disponível em: <https://brasil.elpais.com/brasil/2020-05-20/movimento-expoe-empresas-do-brasil-que-financiam-via-publicidade-sites-de-extrema-direita-e-que-propagam-noticias-falsas.html> Acesso em: 22 maio 2020.

6Caso alguém queira ver o tipo de conteúdo publicado no site, o endereço é: https://www.jornaldacidadeonline.com.br/ .

7MATTOSO, Camila; CARNEIRO, Mariana; SETO, Guilherme. Após reclamação de Carlos Bolsonaro, Banco do Brasil volta atrás e mantém publicidade em site. Folha de S. Paulo, 21 maio 2020. Disponível em: <https://www1.folha.uol.com.br/colunas/painel/2020/05/apos-reclamacao-de-carlos-bolsonaro-banco-do-brasil-volta-atras-e-mantem-publicidade-em-site.shtml?> Acesso em: 22 maio 2020.

8 SANTOS, Anderson; BASTOS, Manoel; BERNARDI, Guilherme. A Informação é livre na internet? Jogando Dados, 20 maio 2020. Podcast. 1 MP3 (61 min.). Disponível em: <https://anchor.fm/jogando-dados/episodes/05—A-informao–livre-na-internet-eear8o> Acesso em: 20 maio 2020.

9AFP. Facebook apresente comitê de especialistas para decidir sobre conteúdo polêmico. Estado de Minas, 6 maio 2020. Disponível em: <https://www.em.com.br/app/noticia/internacional/2020/05/06/interna_internacional,1145065/facebook-apresenta-comite-de-especialistas-para-decidir-sobre-conteudo.shtml> Acesso em: 19 maio 2020.

10No caso da exclusão de conteúdo de forma errada, é possível acompanhar a iniciativa do CensuraBot lançado pelo Observacom: https://www.observacom.org/censurabot/. Sobre a exclusão da foto do soldado soviético, ver o tuíte com a referência postada por Filipe Barini: https://twitter.com/molote_molote/status/1259131763806404609.

11VAIDHYANATHAN, Siva. Facebook and the Folly of Self-Regulation. Wired, 9 maio 2020. Disponível em: <https://www.wired.com/story/facebook-and-the-folly-of-self-regulation/> Acesso em: 19 maio 2020.

12___________________. Antisocial Media: How Facebook Disconnects Us and Undermines Democracy. Oxônia. Oxford University Press. E-book. 2018.

13SANTOS, Anderson; BASTOS, Manoel; BERNARDI, Guilherme. O que é desinformação? Jogando Dados, 22 abril 2020. Podcast. 1 MP3 (67 min.). Disponível em: <https://anchor.fm/jogando-dados/episodes/01—O-que–desinformao-ed4bnf> Acesso em: 20 maio 2020.

14https://twitter.com/celocastaneda/status/1263652717106429952

15# https://twitter.com/fabiomalini/status/1263655711411757057

16Vale ouvir o episódio sobre “Anti-Intelectualismo” do podcast Psicanálise de Conjuntura que aborda o tema. BARROS, Douglas et al. Anti-Intelectualismo. Psicanálise de Conjuntura, 19 maio 2020. Podcast. 1 MP3 (102 min.). Disponível em: <https://senscast.org/2020/podcast/psicanalise-de-conjuntura-08-anti-intelectualismo/> Acesso em: 20 maio 2020.

17Vídeo de reunião de Bolsonaro é divulgado na íntegra pelo STF; veja falas mais importantes. BBC, 22 maio 2020. Disponível em: <https://www.bbc.com/portuguese/brasil-52779195> Acesso em: 22 maio 2020.

18Poderíamos expandir e analisar como é um padrão da Lava Jato e, mais recentemente, na saída de Sérgio Moro do governo. O objetivo não é primordialmente jurídico/político, mas comunicativo. A motivação é pautar o debate, criar narrativas, abrir espaço e, aí, organizar a base. O jornalismo, num geral, ajuda e muito ao apenas publicar as faltas e dar espaço para o tipo de fala que não dividi, mas agrupa a base bolsonarista.

19https://www.facebook.com/suzy.santos.7/posts/3423032184393314

#FicaBBB: ativismo digital, hashtags e fadas sensatas

Por Aianne Amado (1) e Carlos Figueiredo (2)

No mesmo dia que Tiago Leifert anunciou aos participantes que, pela primeira vez na história, a edição do Big Brother Brasil seria estendida devido ao apelo do público, ouviram-se da janela gritos em celebração quando o brother Babu Santana terminou sua participação na prova do líder como favorito, como numa copa do mundo de um jogador só. Na timeline do Twitter, memes surgiam numa velocidade humanamente impossível de consumir em totalidade.

Horas antes, o presidente Jair Bolsonaro havia demitido o então ministro da saúde, em meio à pandemia global do COVID-19. A janela também anunciou: dessa vez com panelas. Os memes tinham um tom mais fatalista que aqueles que viriam mais tarde, mas ainda regados de humor.

Essas duas situações nos levaram a algumas reflexões que tentaremos levantar aqui. Começando pelo artigo “How the world’s collective attention is being paid to a pandemic: COVID-19 related 1-gram time series for 24 languages on Twitter” (3), que analisa os principais termos ou símbolos utilizados nas três primeiras semanas de março de 2020 para cada língua no Twitter. Dos 20 resultados para a língua portuguesa, 13 estavam relacionadas ao reality show da Rede Globo e seus participantes, contra 5 sobre a pandemia. A dessemelhança com os resultados de outras línguas também chama atenção:



Lista dos termos mais recorrentes durante as três primeiras semanas de março dentre as 6 línguas mais faladas do site de rede social Twitter. Fonte: ALSHAABI et. al, 2020

Ao longo dos anos, o debate sobre pautas sociais no Big Brother Brasil vem crescendo, já desenhado desde a seleção dos participantes pela produção do programa, tendo dentre eles ativistas e defensores de causas como gênero, raça e sexualidade (curiosamente, debates partidários não são comuns entre o elenco – ou, se são, não passam pelo corte da edição). Nesta 20ª edição, essas pautas ganharam destaque central para o desenrolar da competição, especialmente as duas primeiras problemáticas citadas. Ademais, essa também é a primeira edição em que participam pessoas já famosas antes do programa, com uma base de seguidores fiéis nas redes sociais, o que acalorou as rivalidades dentro e fora do confinamento.

Os fãs sempre estiveram inseridos na lógica do programa: Bruno Campanella mostra fandoms altamente organizados em sua tese, escrita há 10 anos (4). E, como em todo consumo de fã, o afeto interfere imediatamente na interpretação do texto, mas, especificamente em realitys de votação pública, há a certeza de interferência no resultado final mediante participação. Contar com um público fiel e parcial já antes da disputa começar proporcionou uma vantagem única.

Como eficiente programa de entretenimento, o Big Brother dá ao público a oportunidade de criar narrativas maniqueístas, de fácil acompanhamento até para aqueles que não assistem assiduamente. O primeiro grande arco narrativo do BBB 20 aconteceu logo nas primeiras semanas do programa e foi pautado pela desigualdade de gênero, com denúncias de assédio e machismo por alguns homens da casa, os “machos escrotos”; e exaltação do comportamento da maioria das mulheres, que receberam o carinhoso apelido de “fadas sensatas”, com base na identidade da campanha virtual da participante Manu Gavassi, a mais famosa pré-BBB. As fadas sensatas são as que “nunca erraram”, que percebem as injustiças sociais e não têm medo de combatê-las, defensoras da verdade e igualdade. Já os machos foram prontamente eliminados, um a um.

Entretanto, a temática central da edição ainda estava por vir: o preconceito racial. E, num plot twist hollywoodiano, eram as fadas quem assumiriam o papel de vilãs para o mocinho Babu, que tinha uma certa proximidade com o grupo dos machos. Babu é negro e anda pela casa orgulhosamente ostentando seu pente garfo preso no cabelo crespo. Do outro lado figura um autointitulado “grupo hippie”, com membros brancos à exceção de Thelma, amiga e protegida do ator carioca. Dentre alguns posicionamentos infelizes, o grupo associou Babu a monstruosidades e macumbas. As fadas sensatas agora são, jocosamente, chamadas por alguns de “fadas senzalas”. As disputas, claro, são definitivamente resolvidas no paredão (que, por sinal, bateu o recorde mundial do formato com 1,5 bilhões de votos na disputa entre Prior, melhor amigo de Babu, e Manu Gavassi). Isso não impede que o debate ganhe espaço também nas redes sociais, como deixa claro o levantamento citado acima. Não basta votar, é preciso expressar o voto, se posicionar, fazer campanha, cobrar posicionamento de celebridades e figuras públicas (até o eterno Luke Skywalker, Mark Hammil, entrou para a briga). As hahstags tomam lugar de bandeiras, sendo usadas para evidenciar, orgulhosamente, de que lado está. #FicaFulano e #ForaCiclano. Enquanto isso, o discurso social que iniciou a disputa se esvazia, dando lugar a memes, fake news e ameaças. Não há teoria ou embasamento. Surgem duas competições: uma interna, pela vitória nas votações; e uma externa, pelo fandom mais forte.

Olhando bem, parece até que já vimos esse filme antes.

A participação do público ao BBB 20, programa de TV frequentemente visto com maus olhos pela academia, ilustra diversos pontos discutidos atualmente pelos teóricos da Comunicação Social no Brasil: desde as próprias causas sociais e a respectiva aderência dos espectadores, própria dos Estudos Culturais, até discussões sobre convergência e segunda tela – algo que a Rede Globo demorou para dominar mas hoje usa com maestria. Dentro do campo da EPC (5), alguns pontos que merecem aprofundamentos são: o crescente interesse da emissora nos debates sociais e como ocorre a apropriação desses temas pela Globo; a função interação e as formas de captar o engajamento do público; as maneiras usadas para incorporar a movimentação nos sites de rede social que, inicialmente, não trariam lucros diretos para a produção; e a incorporação da lógica dos fandoms em movimentos políticos.

Sobre esse último, propomos destacar dois conceitos que vem ganhando espaço dentro dos Estudos de Fãs: o fanactivism, ou ativismo de fã, quando a presença no fandom influencia a participação em algum movimento social ou militância; e o fã político, aquele que, mais que um eleitor, possui um comportamento interativo com a figura pública. Até onde vai a causa? Onde o afeto passa a imperar? É possível reconhecer que seu ídolo pode se tornar vilão? Teria meu candidato se tornado uma fada sensata?


Postagem do ator, escritor e comediante Gregorio Duvivier no Twitter.

Grande de parte dos movimentos sociais e partidos de esquerda fazem uso irrefletido das plataformas digitais como ferramentas de comunicação, e acabam aderindo à lógica mercantilista dessas empresas ou ainda usando a ferramenta sem qualquer estratégia ou análise de conjuntura adequada. Gramsci (8), ao analisar como os partidos progressistas poderiam transformar o senso comum, usou uma metáfora comparando as estratégias de convencimento com táticas de guerra. Ele notou que, assim como nos confrontos bélicos de seu tempo, as lutas ideológicas estavam passando cada vez mais da guerra de movimento, realizada em campo aberto onde as forças se confrontavam diretamente, para a guerra de trincheira em que o exército vencedor derruba as trincheiras dos adversários uma a uma. Dessa forma, os partidos progressistas, para transformarem o senso comum e criarem novos consensos, deveriam quebrar resistências culturais, aproveitando-se de elementos progressistas presentes na cultura popular.

O uso da guerra de trincheiras enquanto tática não significaria não usar a guerra de movimento, mas utilizar um conjunto de táticas em diferentes contexto. Tanto que ao citar o exemplo de Gandhi, Gramsci observa que o indiano utilizou três formas de tática: a guerra de movimento, a guerra de posição e a guerra subterrânea para livra a Índia do jugo britânico. A Greve, por exemplo, é considerada guerra de movimento, mas deve vir conjugada com outras táticas para ser efetiva. Os algoritmos utilizados pelas plataformas digitais, ao enclausurarem os usuários de acordo com suas preferências políticas, musicais etc; tornam difícil a guerra de trincheiras e assemelha a disputa política a guerra de movimento em que dois exércitos se enfrentam em campo aberto.

Assim, a esquerda encontra dificuldades para derrubar trincheiras nas redes sociais. Os fandomssejam eles seja políticos, midiáticos ou de participantes do BBB – se baseiam numa identificação primária, muitas vezes pautada pelo reconhecimento de valores morais. No caso dos fandoms políticos, essa identificação se baseia também, normalmente, em uma suposta superioridade moral que renega totalmente a experiência do outro, visto como adversário, e cobra uma aceitação moral total a uma série de preceitos, o que vai de encontro às táticas preconizadas por Gramsci para a criação de um novo senso comum. Na verdade, as bolhas de filtros se apresentam como muros,intransponíveis às táticas dos progressistas em superá-los.

Por fim, nas redes sociais, a extrema direita utiliza uma sofisticada guerra subterrânea de desinformação com uso de Fake News, Bots, grupos de whatsapp etc., lançando mão de recursos e expertises indisponíveis aos movimentos sociais contra-hegemônicos, enquanto os partidos de esquerda utilizam táticas da década passada como os “blogs progressistas” que apoiavam os governos do Partido dos Trabalhadores (PT). O remédio para vencer a desinformação é político. O grande problema é que a própria esquerda abandonou o trabalho de base. A esquerda, no Brasil, cresceu a partir da construção de redes sociais de solidariedade offline, e isso foi trocado, em grande medida, pela política partidária e seus acordos, principalmente durante os governos Lula e Dilma. Se concordamos com a existência de fandoms políticos, as estratégias neles focadas, através de plataformas digitais e hashtags, são de fato oportunas. Porém, não é usando-as como principal ou único recurso que essas ou novas redes, mais adequadas aos novos desafios, serão reconstruídas – muito menos tentando evangelizar a população a partir da lógica da superioridade moral. Um novo tipo de estratégia deve ser adotada nas redes e fora delas, uma tática politizadora. Acreditamos ter exposto os problemas e desafios, e que as soluções devem ser buscadas a partir desse diagnóstico.

  1. Mestre em Comunicação Social. Membro do grupo de pesquisa Obscom/Cepos
  2. Jornalista, Doutor em Sociologia. Membro do grupo de pesquisa Obscom/Cepos
  3. ALSHAABI, Thayer; ARNOLD, Michael V.; MINOT, Joshua R.; ADAMS, Jane Lydia. DEWHURST, David Rushing; REAGAN, Andrew J; MUHAMAD, Roby; DANFORTH, Christopher M.; DODDS, Peter Sheridan. How the world’s collective attention is being paid to a pandemic:COVID-19 related 1-gram time series for 24 languages on Twitter. Março de 2020. Disponível em: http://pdodds.w3.uvm.edu/permanent-share/covid19-ngrams-revtex4.pd
  4. CAMPANELLA, Bruno Roberto. Perspectivas do Cotidiano: um estudo sobre os fãs do programa Big Brother Brasil. 2010. 207 p. Tese (Doutorado em Comunicação e Cultura) – Pós-Graduação em Comunicação e Cultura da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2010. Disponível em: http://www.compos.org.br/data/teses_e_dissertacoes/6b56215cf6a29e8080ec8e6e8a733491.pdf
  5. Raphael (6) e Campanella (7) defendem a inserção da EPC nos estudos sobre o reality show, alegando que “without understanding the political-economic forces that drove the spread of these genre, textual and audience studies may risk reifying it as an expression of audience demand, or of their creators, or of a cultural, discursive, or ontological shift unrelated to the needs of those who run the television industry.” (RAPHAEL 2004, p.119)
  6. RAPHAEL, Chad. The political-economic origins of Reali-TV. In: MURRAY, Susan & OUELLETTE, Laurie (eds.). Reality TV: Remaking Television Culture. 2. ed. New York: NYU Press, 2009, p. 123-140. Disponível em: https://www.researchgate.net/publication/295869264_The_political-economic_origins_of_Reali-TV
  7. CAMPANELLA, Bruno Roberto. Investindo no Big Brother Brasil: uma análise da economia política de um marco da indústria midiática brasileira. E-Compós,v. 8, 11, 2007. Disponível em: https://www.e-compos.org.br/e-compos/article/view/133
  8. GRAMSCI, Antonio. Cadernos do Cárcere. Vol 3. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2012.