Boaventura Santos na UnB

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Depois de quatro anos, o sociólogo da Universidade de Coimbra Boaventura de Sousa Santos volta à Brasília, para a palestra “A Democracia Difícil: É Possível um Novo Contrato Social?”. O evento será no dia 28/10, às 17 h, no Auditório da ADUnB, na Universidade de Brasília, Campus Darcy Ribeiro.

O evento é uma realização do Centro de Estudos Avançados Multidisciplinares, do Núcleo de Estudos para a Paz e os Direitos Humanos, do Programa de Pós-graduação em Desenvolvimento, Sociedade e Cooperação Internacional, do Programa de Pós-graduação em Direitos Humanos e Cidadania, e do Laboratório de Políticas de Comunicação, do Programa de Pós-graduação da Faculdade de Comunicação, da Universidade de Brasília, e se incorpora às atividades pré-evento do ULEPICC 2016.

Na ocasião, serão homenageados o CEAM e o NEP, pelos 30 anos de existência, e o Prof. Roberto Lyra Filho – O Direito Achado na Rua, pelos 30 anos de sua morte.

Chamada para ilustração de livro sobre direito à Comunicação e à Informação

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O Grupo de Pesquisa “O Direito Achado na Rua” e o Laboratório de Políticas de Comunicação – LaPCom, da Faculdade de Direito e da Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília – UnB, estão editando o livro “O Direito Achado na Rua, Volume 8: Introdução Crítica ao Direito à Comunicação e à Informação”. Está aberto o convite para ilustrarem o volume 8 da série.

O volume discute o direito humano à Comunicação e à Informação sob a perspectiva do Direito Achado na Rua, ou seja, a partir das lutas e do protagonismo popular e dos sujeitos coletivos de direito.

Para ilustrar os capítulos e capa do livro, convidamos os interessados a enviarem trabalhos com as seguintes características:

1)    Esteticamente, as ilustrações devem se inspirar na Arte Gráfica Russa (1904-1942), de artistas como El Lissitzky, Vladimir Mayakovsky e Alexandir Rodchemko. Podem ser empregadas técnicas mistas, como colagem, fotografia, etc.

2)    Formato do arquivo: 23x30cm, 300 dpi, jpg, CMYK

3)    Temática: as ilustrações devem refletir a temática do livro, direito humano à Comunicação e à Informação sob a perspectiva doDireito Achado na Rua, em diálogo com conceitos como pluralidade de vozes, democratização da mídia, lei de acesso à informação, finalidade social da mídia, entre outros.

Os trabalhos devem ser enviados juntamente com uma explicação da imagem, em até 5 linhas, e o currículo resumido do ilustrador, em até 3 linhas.

O prazo para envio das ilustrações é até 30/10, para o e-mail lapcom.ppgfac@gmail.com. Os aceites serão enviados até o dia 5/11. Serão escolhidos entre 20 a 25 trabalhos.

PEIC/UFRJ e ECOPOL/UNIRIO publicam relatório sobre os contratos entre a Fundação Roberto Marinho e a Prefeitura do Rio de Janeiro

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Os grupos de pesquisa ECOPOL/NELUTAS da UNIRIO e PEIC, da Escola de Comunicação da UFRJ, analisaram  as informações públicas dos contratos entre a Prefeitura do Rio de Janeiro e a Fundação Roberto Marinho e publicaram num relatório, disponível para ser baixado, sob o título: “Quem são os donos da Educação e da Cultura no Rio de Janeiro? Os contratos entre a Fundação Roberto Marinho e a Prefeitura.

Sob a alegação de dispensa ou inexigibilidade de licitação, foram entregues ao Grupo Globo a concepção e a construção de aparelhos culturais do Porto Maravilha – o MAR e o Museu do Amanhã – bem como parte relevante dos projetos educacionais do município.  O processo privatizante do município articula diversas corporações, nacionais e estrangeiras. Os contratos compreendem o período entre 2009 e 2015 e são discutidas a origem de cada orçamento e a fundamentação legal de cada contrato, tendo como base o Código Civil, a Lei 8.666/93, a Constituição Federal e o Estatuto da Fundação Roberto Marinho.

A contrapelo da lei, o claro privilegiamento conferido pela Prefeitura à Fundação Roberto Marinho na exploração de equipamentos culturais e programas educacionais de natureza pública resulta no deslocamento do fundo público em benefício do maior conglomerado de mídia do país. Ademais, implica na transferência da própria gestão de bens e serviços culturais e educacionais de amplo alcance social para a reprodução simbólica dos interesses econômicos e políticos de um oligopólio econômico com forte inserção política em todo o território nacional. Com efeito, assistimos ao domínio político-cultural do Grupo Globo sobre a cidade do Rio de Janeiro sendo levado ao paroxismo, ainda mais acentuado se comparado ao restante do País, representando uma evidente ameaça à democratização da sociedade brasileira.

Baixe o relatório no site do Projeto Coronelismo Eletrônico: http://migre.me/vgYRx

Lançamento de “Política cultural: o audiovisual”

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A pesquisadora Anita Simis (UNESP) acaba de lançar via Amazon o ebook “Política cultural: o audiovisual”. Trata-se de uma coletânea de alguns textos apresentados em congressos ou seminários, em tempos diferenciados, mas tem uma determinada unidade temática: tratam da política cultural para o audiovisual.

Este tema foi formulado quando o audiovisual se impôs como objeto mais abrangente que o cinema, alcançando outros meios de comunicação, e deriva de uma pesquisa mais ampla sobre cinema, rádio e televisão e mais recentemente o celular móvel. Procurou-se organizá-los numa sequência, enlaçando-os com outros ainda inéditos, na pretensão de realizar uma exposição do tema que possibilite ao leitor uma compreensão integrada da problemática da política cultural para o audiovisual.

Autora

Anita Simis é Anita é professora da Universidade Estadual Paulista “Julio de Mesquita Filho” (UNESP Araraquara) e coordenadora do Grupo de pesquisa em Economia Política, Informação, Comunicação e Cultura (EPICC) da Intercom. É bacharel em Ciências Sociais pela USP e possui doutorado em Ciência Política pela mesma universidade, além de Livre-Docência em Ciências Sociais pela Unesp.

Adquira o livro em: https://www.amazon.com.br/Pol%C3%ADtica-cultural-audiovisual-Anita-Simis-ebook/dp/B01LY5W5AA

Chamada para propostas de entrevistas sobre TV pública

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O Laboratório de Políticas de Comunicação – Lapcom, da Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília – UnB, e o Grupo de Trabalho Políticas e Estratégias de Comunicação da Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação convidam pesquisadores e interessados na área de Comunicação Pública a responderem à chamada de trabalhados para o livro “Em defesa da televisão pública”.

A obra consistirá em entrevistas com pesquisadores da área e intelectuais do país e do exterior sobre a televisão pública. Serão realizadas oito questões básicas, além de outras que os entrevistados e as fontes acharem pertinentes. São elas:

  1. a)      Qual a importância da televisão pública para a sociedade?
  2. b)      Quais as fragilidades da televisão pública?
  3. c)       Como a televisão pública deve se sustentar?
  4. d)      Quais as relações que a televisão pública deve manter com o Estado?
  5. e)      Como a televisão pública deve dialogar com a sociedade?
  6. f)       Como deve ser desenvolvida a grade da televisão pública?
  7. g)      Qual a importância da audiência para a televisão pública?
  8. h)      Você assiste à televisão pública? Cite um programa e explique.

Os/As interessadxs em participar da obra deverão enviar proposta de entrevista, com currículo de até 10 linhas do autor da proposta e da fonte e justificativa da escolha do entrevistado, para o e-mail lapcom.ppgfac@gmail.com.

Sugerimos as seguintes fontes, além de outras que os/as pesquisadorxs acharem pertinentes: Murilo César Ramos, Venício Lima, Eugenio Bucci, Nélia Del Bianco, Laurindo Leal Filho, César Bolano, Fernando Oliveira Paulino, Regina Lima, André Singer, Marilena Chaui, Jesus Martin Barbero, Helena Sousa, José Marques de Melo, Marialva Barbosa, Muniz Sodré, Lúcia Santaella, Margarida Kunsch, Heloisa Matos, Tereza Cruvinel e Franklin Martins.

O prazo para envio da proposta é até 20 de outubro; o do aceite, até dia 25 de outubro; e a entrega das entrevistas até 30 de novembro de 2016.

Por Elen Cristina Geraldes (Coordenadora da linha de pesquisa Políticas de Comunicação e de Cultura da FAC/UnB e do Laboratório de Políticas de Comunicação – Lapcom do PPG/FAC/UnB) e Prof Juliano Mendonça Domingues da Silva (Coordenador do Grupo de Trabalho Políticas e Estratégias de Comunicação da Intercom).

Chamada de trabalhos sobre “História da Mídia Regional”

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Desde 2008, quando o Brasil festejou os duzentos anos de sua imprensa, avançou-se bastante na historiografia a respeito das mídias brasileiras, em especial a imprensa. No entanto, a imprensa regional tem ficado bastante à margem deste processo. Quando muito, algumas monografias, muitas vezes sem maior aprofundamento, esboçam tais histórias. E, no entanto, elas são de grande importância para compreendermos e bem avaliarmos o processo de abrangência e universalização que, depois de 1808, e especialmente após 1827, a chamada imprensa regional viveu no Brasil.

Com o objetivo de dar visibilidade ao tema, a RBHM – Revista Brasileira de História da Mídia recebe, até o dia 30 de novembro de 2016, trabalhos para o dossiê História da Mídia Regional, que terá como editores associados os professores Antonio Hohlfeldt (PUCRS) e Mario Luiz Fernandes (UFMS). Serão contempladas as seguintes abordagens: reflexões teóricas sobre mídia e processos de regionalização, em uma perspectiva histórica; estudos empíricos sobre objetos da mídia regional em determinados períodos históricos; análises comparativas da mídia em diferentes regiões; investigações sobre práticas midiáticas/comunicacionais regionais; assim como análises relativas à memória, representação, discursos e narrativas midiáticas regionais, entre outros enfoques pertinentes ao tema.

Os artigos para o dossiê devem ser enviados diretamente pelo sistema online da RBHM, no endereço www.ojs.ufpi.br/index.php/rbhm. As diretrizes para autores e demais informações necessárias para a submissão dos textos estão disponíveis na página.

Sobre a RBHM

A Revista Brasileira de História da Mídia é uma publicação em formato eletrônico, com periodicidade semestral, da Alcar – Associação Brasileira de Pesquisadores de História da Mídia. Lançada em 2011, tem como objetivo principal divulgar estudos que enfoquem a relação comunicação e história de forma a incentivar a pesquisa nesta área do conhecimento. Além dos trabalhos submetidos ao dossiê, a Revista recebe artigos e resenhas em fluxo contínuo sobre temáticas da história da mídia.

 

(versão em espanhol)

Convocatoria de trabajos RBHM – Historia de los Medios de Comunicación Regional

Desde 2008, cuando Brasil celebró los doscientos años de sus medio de comunicación, se evolucionó demasiado en la historiografía acerca de los medios de comunicación brasileños, en especial la prensa. Sin embargo, la prensa regional ha estado demasiada a la orilla de este proceso. A lo sumo, algunas monografías, muchas veces sin grande profundización, esbozan tales historias. Y, no obstante, ellas son de grande importancia para que podamos comprehender y bien evaluar el proceso de alcance y universalización que, después de 1808, y especialmente después de1827, la conocida prensa regional vivenció en Brasil.

Con el objetivo de dar visibilidad al tema, la RBHM – Revista Brasileira de Historia da Mídia recibe, hasta el día 30 de noviembre, trabajos para el dossier Historia de los Medios de Comunicación Regional, que tendrá como editores asociados los profesores Antonio Hohlfeldt (PUCRS) y Mario Luiz Fernandes (UFMS). Serán contempladas las siguientes temáticas: reflexiones teóricas sobre medios de comunicación y procesos de regionalización, en una perspectiva histórica; estudios empíricos sobre objetos de los medios de comunicación regional en determinados períodos históricos; análisis comparativas de los medios de comunicación en diferentes regiones; investigaciones sobre prácticas de medios de comunicación/comunicacionales regionales; así como análisis relativas a la memoria, representación, discursos y narrativas de los medios de comunicación regionales, entre otros enfoques pertinentes al tema.

Los artículos para el dossier deben ser enviados directamente por el sistema in línea de la RBHM, en el enlace www.ojs.ufpi.br/index.php/rbhm. Las directrices para autores y demás informaciones necesarias para la sumisión de los textos están disponibles en la página web.

Sobre a RBHM

La Revista Brasileira de História da Mídia es una publicación en formato electrónico, con periodicidad semestral, de la Alcar – Asociación Brasileña de Investigadores de Historia de los Medios de Comunicación. Lanzada en 2011, tiene como objetivo principal divulgar estudios que enfoquen la relación comunicación e historia de forma a incentivar la investigación en esta área de conocimiento. Además de los trabajos sometidos al dossier, la Revista recibe artículos y críticas en corriente continuo sobre temáticas de la historia de los medios de comunicación.

Chamada de trabalhos para o Pensacom Brasil 2016

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Acontece nos dias 12 e 13 de dezembro, no Centro de Pesquisa e Formação do Sesc São Paulo, o Pensacom Brasil 2016, evento científico realizado pela Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (INTERCOM) em parceria com a Serviço Social do Comércio (Sesc) e com a Cátedra UNESCO/UMESP de Comunicação para o Desenvolvimento Regional da Universidade Metodista de São Paulo. O evento está com chamada de resumos aberta até o dia 31 de outubro.

Trazendo como tema central “De volta ao futuro”, o evento busca promover o debate sobre o pensamento comunicacional brasileiro a partir da celebração dos 70 anos do SESC, os 50 anos da ECA-USP, os 20 anos do Doutorado em Comunicação da UMESP, os 20 anos da Cátedra UNESCO/UMESP de Comunicação e os 40 anos da INTERCOM.

Durante o Pensacom Brasil 2016, além de painéis sobre temas relacionados ao pensamento comunicacional, as mudanças no campo da comunicação, lançamento de livros de novos projetos de pesquisa e atividades culturais, também serão realizadas as reuniões dos Grupos de Trabalho (GTs) do evento. 

Os Grupos de Trabalho do Pensacom Brasil tem crescido a cada ano, tornando – se espaço privilegiado de troca e reflexão sobre diversas temáticas emergentes no campo comunicacional. Os interessados deverão enviar resumo expandido, de em média 500 palavras, dentro do modelo padrão do evento. Os resumos e posteriormente os textos completos devem ser enviados para os e-mails de cada GT. Confira abaixo o calendário dos GTs:

ENVIO DE RESUMOS – 31 de outubro de 2016

ACEITE DOS RESUMOS – 07 de novembro de 2016

ENVIO DOS TEXTOS COMPLETOS – 30 de Novembro de 2016

NORMAS PARA ELABORAÇÃO DE RESUMO EXPANDIDO

O resumo expandido deverá ter de 400 a 500 palavras e ser salvo em PDF. O nome do arquivo será o nome e sobrenome do autor, devem ainda ter os seguintes elementos: título, autores, resumo (introdução, metodologia, fundamentação teórica e considerações finais), palavras-chave e Referências Bibliográficas. A data limite para o envio dos resumos é 31 de outubro. 

Confira abaixo a lista dos GTs e os seus respectivos e-mails:

GT 1 – Pensamento Comunicacional – pensacom.gt1@intercom.org.br

Ementa – Cartografia do pensamento comunicacional brasileiro e latino-americano. Perfis de pesquisadores. Identidade comunicacional de pesquisadores e instituições. Contribuições inovadoras à pesquisa em comunicação. Teoria e metodologia da Comunicação. Principais correntes teóricas da comunicação no Brasil e na América Latina.

GT 2- Folkcomunicação – pensacom.gt2@intercom.org.br

Ementa- A cultura popular brasileira e sua presença na mídias tradicionais e digitais. Teoria e metodologia da Folkcomunicação. As relações entre folclore, cultura erudita e cultura de massa. Manifestações espontâneas da Folkcomunicação. Intermediações folk-midiáticas nas práticas comunicacionais.

GT 3 – Comunicação e Saúde  – pensacom.gt3@intercom.org.br

Ementa – Comunicação e Saúde: relações interdisciplinares. A comunicação como prevenção à saúde. A agenda midiática voltada a saúde: avanços e desafios. O diálogo entre comunicadores e profissionais da saúde. A formação da opinião pública em saúde.

GT 4 – Comunicação Eclesial – pensacom.gt4@intercom.org.br

Ementa – Interface que une Comunicação e Religião no cenário brasileiro contemporâneo. Midiatização da Religião. Abordagens metodológicas transdisciplinares da Comunicação Social e das Ciências Humanas (História, Ciências Sociais, Antropologia).

GT 5 – Comunicação e Política – pensacom.gt6@intercom.org.br

Ementa – Comunicação, política e sociedade. Marketing Político e campanhas eleitorais; Comunicação pública e política. Novas práticas de comunicação na política: mídias digitais e redes sociais.

GT 6 – Comunicação digital e tecnologias – pensacom.gt10@intercom.org.br

Ementa – Estudos sobre Comunicação digital, suas dinâmicas de produção de conteúdo e interfaces tecnológicas. Novas formas de expressão no campo digital. Construção de conteúdos em novas plataformas tecnológicas. Comunicação transmídia. A relação entre Comunicação, cultura e tecnologia.  Novas formas de mediação pela Internet. 

GT 7 – Comunicação e Consumo – pensacom.gt5@intercom.org.br

Ementa – Comunicação, mercado e consumo. Processos comunicacionais voltados aos aspectos promotores do consumo, das percepções construtoras das imagens corporativas e do relacionamento com as marcas, por meio de práticas convencionais e não convencionais. Mudanças nas relações entre organizações e consumidores. O consumidor cidadão. As mídias digitais e o consumidor.

GT 8 – Comunicação Popular e Alternativa – pensacom.gt8@intercom.org.br

Ementa – Estudos sobre comunicação desenvolvida no âmbito dos movimentos sociais, etnoculturais, dos sindicatos e organizações populares em geral. Comunicação movida por objetivos sociais e de promoção da cidadania. Comunicação ligada ao serviço publico em oposição a mercantilização da mídia. 

Clique no link para baixar o modelo de resumo expandido para os GTs e fazer sua inscrição: http://portal.metodista.br/unesco/jbcc/noticias-jbcc/chamada-de-trabalhos-para-o-pensacom-brasil-2016-esta-aberta

EBC e Lei de Meios: conquistas em desmonte

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Por Carine Prevedello*

Duas das mais importantes experiências relacionadas à Comunicação Pública e à democratização da mídia na América Latina estão sendo rapidamente descontruídas com a instalação de governos de orientação liberal, em substituição aos mandatos progressistas de Lula e Dilma, no Brasil, e do casal Nestor e Cristina Kirchner na Argentina. Tanto a Empresa Brasil de Comunicação (EBC), estruturada a partir do modelo da BBC de Londres e anteriormente gerida por um Conselho Curador com representantes da sociedade, quanto a Lei de Meios argentina, que limitava a propriedade cruzada de veículos de comunicação, são conquistas recentes em franco desmonte pelos governos de Michel Temer e Mauricio Macri. A Constituição Brasileira de 1988 estabelece como obrigatória a criação de veículos públicos de Comunicação, a partir da complementaridade entre os sistemas privado, público e estatal. Movimentos sociais ligados a entidades de defesa da democratização na Comunicação e dos direitos civis, na Argentina e no Brasil, atuam desde a década de 1960, período dos governos ditatoriais, fortalecendo a pauta da liberdade de expressão, dos veículos alternativos e da circulação da pluralidade de opiniões.

O setor e o conceito da Comunicação Pública são centrais para a ampliação de espaços para circulação de diferentes versões, diversificação de fontes, respeito à representatividade e contraponto à visão comercial e seus interesses. É importante, ainda que se reconheçam as implicações da sobreposição entre interesses corporativos, políticos e a noção de interesse público aliada ao direito à informação (GENTILLI, 2005), compreender a Comunicação Pública como uma área de atuação complexa o suficiente para abarcar, simultaneamente, as ações relacionadas às instituições estatais, mas também às entidades da sociedade civil, organizadas ou não segundo normas socialmente reconhecidas. As atividades associadas à noção de accountabillity, não apenas como estratégia de responsabilidade social, mas muito mais como força de contra-agendamento (SILVA, 2007) impulsionada pelas ações midiáticas propostas de forma independente pelas organizações e movimentos sociais constituem, especialmente no  momento político do Brasil, um elemento de disputa da diversidade de fatos, fontes e opiniões na esfera pública, em enfrentamento permanente com as lógicas de mídia comercial.

A comunicação pública ocupa-se da viabilização do direito social individual e coletivo à informação, à expressão, ao diálogo e à participação. Fazer comunicação pública é assumir a perspectiva cidadã na comunicação envolvendo temas de interesse coletivo, alterando seu eixo, tradicionalmente centrado no atendimento dos interesses da instituição e de seus gestores. Na comunicação pública o objetivo é o atendimento do interesse público e da sociedade, simbolizado pelo cidadão (Duarte, 2011, p. 126-127).

A História da Comunicação no Brasil, especialmente da propriedade dos veículos de comunicação, é marcada por uma relação direta com o interesse comercial e privado, portanto dissociada do interesse público. Isso difere, por exemplo, dos complexos de rádio e TV na Europa, com uma tradição de propriedade e controle públicos ou estatais. Enquanto as grandes redes de comunicação, incluindo não somente rádio e televisão, mas portais de notícias e geração de conteúdo audiovisual nas mais diversas plataformas, permanecerem prioritariamente sob controle de grupos econômicos, a pauta e a incidência sobre a opinião pública será decidida pelo interesse privado. A consonância da pressão de movimentos da sociedade civil junto à disposição de governos progressistas, reconhecidos pelas políticas de interesse social e cultural mais amplo do que a pauta econômica e desenvolvimentista, resultou em duas iniciativas que devem ser compreendidas como históricas para a democratização da Comunicação na América Latina. No Brasil, a sequência de mandatos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, e na Argentina, de Néstor e Cristina Kirchner, ambos entre 2003 e 2015, resultam, respectivamente, na criação da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), em 2007, e da instituição da Ley de Medios, a Lei de Serviços de Comunicação Audiovisual (LSCA) argentina, em 2009.

Entre os mais importantes desdobramentos da criação da EBC, que abriga uma rede de rádios originadas da Radiobrás, histórica rede de rádio pública brasileira, está a instituição da TV Brasil, a emissora de televisão pública, com controle da programação através de Conselho Curador e relativa estabilidade para presidência e conselheiros, nomeados para mandatos com tempo de duração estabelecido por lei. Além da rede de  rádios e da TV Brasil, que possui um canal internacional, a EBC reúne duas agências de notícias e um portal de internet.

Na Argentina, a participação da sociedade civil foi diretamente relacionada à instituição da Lei de Meios, a partir da apresentação de um documento encaminhado pelo Fórum Argentino de Rádios Comunitárias, em 2008, à presidenta Cristina Kirchner, e também da proposta “21 pontos por uma Radiodifusão democrática”, elaborado por um grupo formado por mais de 200 entidades entre ONGs, sindicatos, universidades, canais comunitários e cooperativas. A seguir foram realizados 25 fóruns de consulta em todo o país. Os impactos provocados pela lei envolvem, para além das alternativas apresentadas ao histórico embate entre os monopólios de mídia e a defesa do interesse público, a definição de espaços estratégicos para o fortalecimento de novos canais de comunicação com preservação da diversidade de atores e de conteúdo. Uma mudança, que, pelo menos nas soluções apresentadas pela Argentina, envolve como questão primordial o reconhecimento da comunicação como bem e direito público e social, – entendimento condicional para a revisão da legislação brasileira para a TV aberta -, a exemplo da história das televisões públicas europeias, e, por outro lado, especialmente na questão audiovisual, visualiza nos polos de produção regionais e comunitários um elemento central para a articulação de atores não-hegemônicos e para a diversificação da programação televisiva.

Nesse sentido, é importante reconhecer que a Lei de Meios argentina representou uma vitória consistente em duas frentes. Em primeiro lugar, estabelece diretrizes para impedir a manutenção e formação de oligopólios que concentrem a propriedade de veículos de comunicação – com o claro objetivo de atingir diretamente o conglomerado
Clarín, francamente opositor ao governo de Cristina Kirchner -, e em segunda instância determina a concessão de uma série de licenças para operação de canais públicos e comunitários, sem necessidade de outorga ou revisão, atendendo ao objetivo de diversificar, regionalizar e democratizar o acesso à produção e distribuição de conteúdo audiovisual. O Decreto de Necessidade e Urgência (DNU) 267/2015, destinado a reverter a principal conquista da Lei de Meios para a democratização da Comunicação, esteve entre as primeiras iniciativas do governo de Mauricio Macri. Já em dezembro de 2015,  logo após a posse, foram divulgadas as primeiras medidas, sem qualquer discussão ou consulta pública, impondo alterações ao texto original da lei, diminuindo limites para o reconhecimento de monopólios – o que favorece a concentração de propriedade -, e a extinção das agências de controle público. O decreto foi revertido pela Justiça logo no início de 2016, mas em abril as alterações foram confirmadas pelo Congresso argentino, o que dá autorização para implementação, sem necessidade de aprovação no Senado.

No Brasil, de forma bastante análoga, uma das primeiras ações da gestão temporária de Michel Temer, ainda durante o período provisório de substituição à presidenta Dilma Rousseff, foi incidir sobre a EBC, nomeando um novo diretor para ocupar o mandato legalmente constituído de quatro anos de Ricardo Melo, que se encontrava em pleno exercício. A ação foi impedida pelo Supremo Tribunal Federal (STF), mas confirmada assim que oficializada o novo governo, após o processo de impeachment. A mesma situação aconteceu na Argentina, quando os diretores das agências reguladoras, com mandatos estabelecidos por lei e sem coincidência com as gestões presidenciais, uma forma de diminuir a interferência política, foram exonerados e substituídos por um único diretor do Enecom, cargo de confiança de Mauricio Macri.

Certamente o desmonte da EBC é um indicativo muito forte da posição do atual governo brasileiro sobre a Comunicação. Estamos também em plena transição para a digitalização das transmissões de televisão aberta no Brasil, e as definições sobre os conversores digitais para a população de baixa renda já estão sendo atingidas. A ampla discussão com a sociedade civil para a inclusão de interatividade via TV aberta está ameaçada pelas posturas do novo governo. Também a expectativa sobre ampliação do espaço das TVs públicas (universitárias, comunitárias, e as ligadas aos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário) no novo espectro digital não deve ser contemplada, se não há prioridade por este setor. O enfraquecimento e o uso político da EBC são uma distorção grave de um patrimônio da Comunicação Pública que deveria e poderia servir à diversidade e à democratização, cumprindo com seu papel constitucional de maior equilíbrio entre os setores público, estatal e privado. Não haverá Comunicação Pública no Brasil sem o apoio do Estado, pela tradicional construção histórica da Comunicação no nosso país,. A manutenção do monopólio das empresas na produção de conteúdo é a  manutenção de uma opinião pública informada pelos interesses privados, e não públicos. Isso decide os rumos de um país, e é este o resultado que estamos vendo, e que ameaça cotidianamente os direitos sociais e individuais.

Uma das principais conquistas, já perdidas, é a administração via Conselho Curador, com representatividade pública e a administração do presidente por período determinado, que não poderia ser alterada pelo Presidente da República. A extinção do Conselho Curador, conforme determinado recentemente por Decreto do governo Temer, é o fim de um modelo amplamente legitimado pela BBC, considerada uma das melhores do mundo: um TV pública! Um modelo de administração democrático e progressista, que dá voz à sociedade na avaliação e definição da programação e da produção de conteúdo. O fim do Conselho Curador significa o aparelhamento político total da EBC, com as decisões restritas a gabinetes de confiança do presidente, em um retrocesso inimaginável e inaceitável.

A ampla articulação que une grandes grupos privados de Comunicação, Congresso e Judiciário, em uma amarração tão complexa quanto eficiente, parece em franco funcionamento tanto no Brasil quanto na Argentina, e produzindo efeitos diretos sobre as frágeis e recentes conquistas na área da Comunicação. Seria ingenuidade imaginar que todas essas ações não tenham relação com um projeto bastante evidente, de enfraquecimento do espectro ideológico progressista, especialmente no Brasil em um período decisivo, já que as principais mudanças acontecem pelo processo democrático, em descrédito e desmonte no país. Somente muita pressão sobre o Congresso – também comprometido com a corrupção e com as fisiologias como práticas tradicionais que viabilizaram a tomada de poder-, mobilização social e criação de espaços de luta política poderão reverter esse ciclo. Deve ser um processo longo, detalhista e exaustivo, mas fundamentalmente de coesão e luta social nas nossas mais diversas esferas. Perde toda a sociedade, com a ausência de espaços de construção de visões discordantes, de complementaridade de opiniões, e com o monopólio da fala por grupos privados de tradição e propriedade familiar.

Referências Bibliográficas

DUARTE, Jorge. Sobre a emergência do(s) conceito(s) de comunicação pública. In: KUNSCH, Margarida M. Krohling (Org.). Comunicação pública, sociedade e cidadania. Difusão, 2011. p. 121-134.

GENTILLI, Victor. Democracia de massas: jornalismo e cidadania. Estudo sobre as sociedades contemporâneas e o direito dos cidadãos à informação. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2005.

SILVA, Luiz Martins. Sociedade, esfera pública e agendamento. In: LAGO,C.ç BENETTI, M. (Orgs.) Metodologias de pesquisa em jornalismo. Petrópolis: Vozes, 2007, p. 143-167.

* Carine Prevedello é jornalista, doutora em Comunicação, diretora da TV Campus, emissora pública da UFSM, pesquisadora da democratização da Comunicação. Integrante do grupo de pesquisa OBSCOM/Cepos.