Brazilian Journalism Research recebe artigos para dossiê “Populismo, Mídia e Jornalismo”

O periódico Brazilian Journalism Research (BJR) está recebendo contribuições, até o dia 31 de março de 2021 para o dossiê Populismo, Mídia e Jornalismo. Os aceites serão enviados até o dia 31 de agosto de 2021. Os trabalhos aprovados constarão no número três do volume 17 da revista, com publicação para dezembro de 2021.

O dossiê será editado por Julián Durazo Herrmann (Université du Québec à Montréal, Canadá), Tania Gosselin (Université du Québec à Montréal, Canadá) e Allison Harell (Université du Québec à Montréal, Canadá).

De acordo com a Chamada de Trabalho do periódico “Práticas e discursos populistas têm moldado profundamente a política contemporânea em todo o planeta. A retórica populista floresceu em espaços da opinião pública e se tornou ubíqua em eleições recentes, quando forças populistas impuseram importantes mudanças de políticas em muitas temáticas relevantes, da imigração à saúde reprodutiva”.

Os editores dossiê buscam contribuições que “tensionem as complexas relações entre populismo, mídia e jornalismo em cada um destes níveis, em particular pesquisas que explorem explicitamente o populismo através destas camadas problemáticas”.

Entre as questões colocada pelos editores estão “Como a mídia cobre partidos populistas e qual o papel dos jornalistas na (des)legitimação de ideias populistas? De que modo o discurso populista

condiciona e recondiciona a competição partidária em ambientes hiper-mediados? Como podemos compreender a natureza da retórica populista em dado contexto, em termos de sua evolução, no modo como as elites são construídas e como a categoria de povo autêntico é definido? Como movimentos populistas construíram a mídia e os jornalistas?”

Serão aceitas submissões de pesquisadores das diferentes áreas das ciências sociais interessados no interstício entre populismo, mídia e jornalismo. Submissões que foquem em questões de pesquisa ou contextos específicos, bem como contribuições de diferentes disciplinas e com distintas abordagens metodológicas também são esperados. Contribuições históricas ou contemporâneas, com foco em qualquer área geográfica e que contribuam com o estudo teórico e empírico sobre o populismo estão convidados a este dossiê.

O objetivo central do dossiê “é a construção de uma edição que ofereça aos leitores discussões ricas, do ponto de vista teórico e metodológico, que permitam no avanço de nossa compreensão sobre o fenômeno mais amplo do populismo”.

Os artigos devem ter entre 40.000 e 55.000 caracteres (em torno de 30 páginas) e devem ser submetidos até 31 de Março de 2021. A BJR aceita submissões em Português, Espanhol, Francês e Inglês. Os autores que submeterem seus artigos em Português, Espanhol ou Francês deverão apresentar uma tradução em Inglês até um mês após o aceite final do artigo.

Os manuscritos são aceitos apenas a partir da plataforma online da revista que pode ser acessado aqui . Os autores devem seguir as normas de publicação do periódico, disponíveis aqui. Dúvidas podem ser encaminhadas diretamente para o e-mail bjreditor@gmail.com

https://bjr.sbpjor.org.br/bjr/about/editorialPolicies#custom-0

Mídia e Populismo é tema de dossiê da Revista Mediapolis

A revista Mediapolis, editada pela Imprensa da Universidade de Coimbra, está com Chamada pra Trabalhos para o dossiê “Media, Populismo e Espaço Publico: desafios contemporâneos” até o dia 31 de maio de 2020. Os artigos aceitos serão publicados no primeiro semestre de 2021. O dossiê está sendo editado pelos professores Bruno Araújo (UFMT / CEIS20 / UC) e Helder Prior (UFMS/UAL)

De acordo com o Call for Papers (CFP) do periódico, “de um lado a outro do espectro partidário, o populismo assume-se como um tipo de ideologia ou estilo de política que aposta no antagonismo entre partes da sociedade e na exploração de sentimentos de medo e de desencanto social. […] a lógica populista tem interferido em diversos setores da vida democrática, influenciando o resultado de processos eleitorais e ameaçando o funcionamento de instituições políticas, judiciárias e mediáticas”. A íntegra do Call for Papers está disponível aqui.

Os editores esperam artigos que abordem os seguintes tópicos:

  • Contextualização histórica do populismo: populismo agrário; populismo latino-americano; nacional-populismo na Europa;
  • Visibilidade de atores populistas nos media tradicionais;
  • Enquadramentos de movimentos e de atores populistas na imprensa;
  • Movimentos antidemocráticos e autoritários nos media digitais;
  • Desintermediação, comunicação direta e redes sociais;
  • A afinidade eletiva entre o populismo e a comunicação da pós-verdade: desinformação e propaganda nos media digitais;
  • Algoritmos, filter bubbles, social media targeting e discurso de ódio;
  • Estilo de comunicação populista em contexto de campanhas eleitorais;
  • Populismo de esquerda versus populismo de direita;
  • Os impactes do populismo e as reconfigurações do espaço público.

Os artigos devem ser submetidos através do sistema OJS do periódico e seguirem as diretrizes para autores, disponíveis aqui, estabelecidas pela revista.

Menina dos olhos dos Civita, Revista Veja sofre com a crise da Abril

A menina dos olhos de Roberto Civita não conseguiu escapar da crise do Grupo Abril. Com as mudanças no mercado editorial, a blindagem da semanária perdeu vigor e incorreu em e cortes importantes, como o anunciado semanas atrás, com várias demissões e o fechamento das Vejinhas BH e DF.

Informações publicadas no Portal dos Jornalistas indicam que, nos últimos dias, discretamente a revista negociou também as saídas de importantes profissionais que lastreavam um núcleos importantes da semanária.

Estima-se que o corte total, ao longo das últimas semanas, atingiu 32 pessoas em São Paulo e 49 em todo o Brasil.

A revista também negociou uma redução da ordem de 10% no segmento colunistas.

Fica o alerta.

Pelo andar da carrugem e pelo avanço das redes e suas potencialidade, ventila-se que a provável estratégia da Revista será investir cada vez mais em vídeo, impulsionando a TVeja, que, como diz um dos profissionais da casa, “está bombando”.

A mídia alternativa precisa ficar atenta aos caminhos que a revista mais duvidosa do país pretende tomar.

Luciano Martins: A imprensa e a terceira via

Por Luciano Martins Costa*, no Observatório da Imprensajulia1

O tema é tratado nesta quinta-feira (21/5) por dois destacados colunistas. Um deles, Merval Pereira, escreve no Globo. O outro, José Roberto de Toledo, publica no Estado de S. Paulo. Embora este observador não costume citar nomes, mesmo quando analisa textos específicos, a circunstância aponta a conveniência de identificar os autores, porque o assunto provavelmente irá dominar a crônica política nos próximos meses, talvez nos três anos que nos separam da campanha presidencial de 2018.

O pano de fundo é a operação de guerra conduzida pela imprensa hegemônica, com o propósito de isolar e fragilizar a atual presidente da República e, ao mesmo tempo, atacar ininterruptamente a reputação do ex-presidente Lula da Silva, que é tido como provável candidato ao Planalto na próxima eleição. O grande destaque dado a sucessivas manifestações do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, a última delas dominando o programa de seu partido, o PSDB, na televisão, é parte desse processo.

Como já se afirmou neste espaço (ver aqui), a análise diária do noticiário político e sua extensão lógica – as escolhas da imprensa entre os fatos da economia – aponta claramente o propósito de manter sitiada a presidente Dilma Rousseff, nem que para isso seja necessário dar apoio ao senador Renan Calheiros e ao deputado Eduardo Cunha, dirigentes do Congresso Nacional visados pela Operação Lava-Jato. Mas essa pressão é controlada no limite da governabilidade, porque a mídia tradicional não pode contrariar o chamado setor produtivo, que tem interesse no plano de ajuste proposto pela presidente.

O nome do jogo é manipulação, mas esse é um aspecto tão explícito que sua observação não representa um desafio instigante: o leitor crítico enxerga isso com a simples visão das manchetes. Para entender metade da história, basta ler o editorial publicado pelo Estado de S. Paulo na quarta-feira (20/5), intitulado “O pesadelo de Lula” (ver aqui).

O texto pode ser considerado um clássico do lacerdismo, que passou a marcar a linguagem da imprensa brasileira a partir da ascensão dos “pitbulls” ao panteão do jornalismo. Escrita em chulo – a novilíngua que caracteriza o jornalismo predominante no Brasil -, e sem a verve que marcava as diatribes de Carlos Lacerda, essa  declaração explícita de engajamento partidário funciona como ancoragem para o discurso do veterano líder tucano na TV.

Tecendo a rede

Um filósofo diria que ambos – o editorialista, em nome do jornal, e o político-sociólogo, em nome da fração da sociedade representada por seu partido – personificam o cinismo em estado clássico, ou seja, a alienação em relação à sociedade como um todo, ou a construção de um mundo à parte da política. Esse mundo particular é regido por uma ética muito conveniente, na qual os malfeitos do poder têm um calendário especial: segundo esse calendário, a corrupção nasceu em 2003, quando Lula da Silva assumiu a Presidência da República em primeiro mandato.

Voltando aos dois colunistas citados, por que seus textos marcam de maneira tão clara o próximo episódio na disputa partidária que estimula radicalismos e divide de maneira tão visceral a sociedade brasileira? Porque os dois avançam na observação do cenário retratado pela imprensa hegemônica e apontam para um horizonte em que se torna propício o surgimento de uma terceira opção aos dois polos em torno dos quais se adensam as forças políticas. Na opinião dos dois autores, PT e PSDB correm o risco de morrer abraçados em 2018.

Tanto Pereira quanto Toledo se referem ao fato de que, ao se engalfinhar com o PT, o PSDB perde apoio de muitos de seus eleitores, porque os correligionários tradicionais dos tucanos “não se reconhecem mais no radicalismo assumido”, segundo Merval Pereira. Pode-se acrescentar que, alinhando-se com as forças mais reacionárias do espectro político, o PSDB se desfigura aos olhos do cidadão politicamente educado que apoia a socialdemocracia. Já o jornalista do Estado de S. Paulo pondera que 66% dos brasileiros não têm preferência partidária – apenas 14% votam firmemente no PT, e o PSDB tem o suporte incondicional de apenas 6% dos eleitores.

Os dois colunistas enxergam um cenário favorável ao surgimento de uma “terceira via”. Merval Pereira vislumbra uma candidatura do ex-ministro do STF Joaquim Barbosa e cita, mais à direita, o senador Ronaldo Caiado e o deputado Jair Bolsonaro. José Roberto de Toledo afirma que “há espaço de sobra para quem souber contar uma história nova e convincente”. Nenhum dos dois se lembrou da ex-senadora Marina Silva, que tece sua rede longe do barulho da mídia.

*Luciano Martins Costa é jornalista.